“Eu vim lá de Angola, eu vim lá do meu congá”

Nós Negros e Negras brasileiras não devíamos esquecer essa data não, como alguns pretendem. Para mim, essa é a data mais importante, pois revela e diz que a LUTA deles NUNCA fora em vão e como diz meu amigo Wallace Lopez Espaçólogo, ainda vivemos o 14 de maio de 1988 até hoje. 

Segue o texto de Sid Soares para reflexão. Um belo texto.

Libertação
Me foi dito por uma entidade chamada Rosa, a quem eu muito agradeço os ensinamentos e mensagens que têm me trazido, que os navios negreiros agora são outros, e também são outros os quilombos onde buscamos nos refugiar e com isso, sem o entendimento das mudanças que nos cercam, na visão espiritual nós no plano físico corremos desesperados de um lado para o outro.

Cada um se refugiando em um esconderijo, um abrigo que a bússola da alma orienta. Segundo ela, o problema é a bússola e num momento onde vemos pessoas deixando pra trás suas casas, cidades e países, nós também somos refugiados, deixando pra trás nossa essência, nossa fortaleza, nossa esperança.

Os agentes divinos da Lei Maior estão trabalhando sem parar para acelerar o processo de evolução dos povos e nações, apressando processos de reencarnação e transmigração espiritual, clareando as mentes e os corações da humanidade e enquanto isso uma gama enorme de espíritos ligados a linha das almas, ou Yofá operam em nosso entendimento, nossos corpos mais sutis, fortalecendo nossa busca pela transformação do ser.

Mesmo que toda a sabedoria faça parte da mente humana, se faz necessário a orientação bondosa e serena de um preto velho, que visa libertar os filhos das encruzilhadas da alma. O cruzeiro ou madeiro, que é o símbolo da iluminação dos homens ultrapassando as esferas possíveis e nos guiando rumo ao impossível brilha hoje sobre o planeta como farol divino, mostrando as almas a direção do Bem.

Ainda que a violência nos assalte, seja na rua, em nossa casa ou mesmo dentro nós quando somos cruéis com nossos sonhos, o 13 de maio é um marco que se apresenta para todos na figura bondosa do preto velho ou preta velha que trabalhando, fazem mais que aconselhar, benzer, rezar…nos educam para a vida, para a nova vida. Não devemos confundir o olhar e a fala apaziguadora deles com uma subserviência humilhante, mas antes perceber que essa energia que recebemos deles é a energia do entendimento, da compreensão e da luta e perseverança pelo que é correto.

Onde houver e enquanto houver num 13 de maio uma oração, uma vela ou um copo d’água, onde houver um rosário ou um canto em louvor as almas e a essa Coroa Ancestral, por certo haverá também uma corrente luminosa ligando os planos da vida em favor do Bem Maior e do Mundo, haverá essa conexão entre a sabedoria e a persistência nos mostrando um caminho.

Nessa data onde os cruzeiros de todo o país se iluminam, os pretos velhos rogam a transformação dos filhos, do entendimento dos filhos. Oram pelo que ainda nos impede a caminhada, e somam forças pela liberdade dos povos começando pelos nossos olhos e corações pois como eles mesmo dizem: Só compreenderemos o sentido e a importância de liberdade quando enxergarmos de fato qual é a nossa prisão.

Rosa ainda me deixou duas perguntas libertadoras: Do que você tem fugido? Onde você tem se refugiado?

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Adorei as Almas

Próxima sessão será comemoração de 36 anos de nossa Tenda e homenagem aos pretos e petras-velhas.

Venham trocar um saravá, um abraço, tomar um cafezinho, receber uma pulserinha da Vovó Catarina e saborear a energia dessas entidades de luz através do seu Amalá.

Dia:13/05/2017

Local: Tenda Espírita Pai Mané de Aruanda

Horário: 18h

 

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A C O N T E C E U

ACONTECEU EM UM TERREIRO

Em um terreiro que iria abrir as suas portas ao público, pela primeira vez.
O chefe daquele terreiro olha pela janela e vê que tem cerca de 30 pessoas esperando para entrar e assistir a gira.
O chefe deste terreiro vai até a porta e a abre, sem sair de lá cumprimenta um a um os consulentes que vão entrando.
Quando ele acaba de cumprimentar a todos, ele entra naquele pequeno recinto e nota que todos ficam parados, olhando para o nada.
Começou a gira o Pai de Santo e mais dois médiuns e um cambono.
Logo baixou os pretos velhos.
Um dos consulentes que lá estava foi falar com a entidade.
Preto-velho não deixei de notar algumas coisas, que não vi aqui.
Por exemplo: Cadê as imagens do seu congá, cadê as velas acesas e a casa não tem ogãs.
E o Preto-velho muito calmo respondeu.
Filho, quando você vai a mata, você vê Oxóssi?
Quando você vai a praia você vê Iemanjá?
Quando você vai a uma pedreira você vê Xangô?
Quando você passa por uma encruzilhada você vê Exu?
E assim ele continuou.
Quando ele acabou as perguntas, ele respondeu certo paizinho, mas nestes campos de força, sentimos as energias dos Orixás.
Aí o Preto-velho respondeu:
É filho se você não estivesse vindo aqui tão preocupado em ver tudo aqui com os seus olhos carnais, mas tivesse enxergado com o seu coração, você iria ver tudo isso e mais a sua entidade que está aí do seu lado.
Que poderia estar agora aqui incorporada ajudando em nossos humildes trabalhos.
Nunca julgue uma casa pelo tamanho, quantidade de médiuns ou pelo tamanho de suas imagens.
Mas preste atenção e sinta a energia que ali circula nos trabalhos realizados.
É na verdadeira simplicidade e humildade que se encontra a verdadeira força das entidades .
Autor desconhecido !

Mironga de Preto-Velho

Por: Nerita Oeiras, em 13/05/2016

Tem só uma festa religiosa da qual eu realmente gosto, e é a de hoje. Dia de celebrar os pretos velhos, entidades da Umbanda que nos ensinam a paciência, a sabedoria, a necessidade de uma vida mais calma e mais pausada. Eu sempre tive muita afinidade com pretos velhos (com pessoas idosas também), e tem duas coincidências muito legais nisso. A bebida dos pretos velhos é o café, e eu acabei trabalhando nesse mercado. E quando eu cheguei na minha casa no Equador, numa parede tinha (ainda tem), uma foto de uma preta velha, fumando um cachimbo.

Convido vocês, amigos, para no dia de hoje tomar uma pausa para um cafe, para respirar fundo, para contemplar o céu, receber o vento no rosto e agradecer pela vida!

Os deixo com um vídeo de Tião Casemiro interpretando um ponto composto pelo meu avô Ivo Carvalho. Amanhã comam um amalá de preto velho por mim!!! 😀

“Preto-velho trabalha sentado…

... mas se for preciso trabalha em pé.” 

Amanhã é dia de homenagear as nossas queridas entidades de descendência africana. Nossa casa tem a frente da direção espiritual um preto-velho, Pai Mané de Aruanda, nosso conselheiro, amigo e orientador espiritual. Para homenagear a todos os pretos-velhos e petras-velhas, deixamos aqui o vídeo do nosso dirigente contando como foi inspirado a escrever um cantiga para essa entidade e cantando a mesma. 

Que a sabedoria e a humildade dos nossos pretos e pretas-velhas cubram todos os integrantes da nossa nação nesse momento de mudança. 

A benção vovós!

A nossa festá será realizada no próximo sábado, dia 14 e serviremos o nosso delicioso Amalá de preto-velho.

Venham participar e comemorar conosco nosso aniversário de 35 anos de fundação e 34 de inauguração. 

 

Também compartilhamos os vídeos da inauguração da nossa casa de Caridade. 

 

 

Distribuição para as crianças de Sepetiba

Hoje, dia 27 de setembro de 2015, mais um dia de alegria na nossa tenda, distribuição de doces e roupas para as crianças de Sepetiba.

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Festa de Preto-velho – 33 anos de inauguração

Durante o nosso aniversário, comemorado no sábado passado, 17 de maio, também apresentamos os nossos irmãos que galgaram mais um paço na sua caminhada. Parabéns a todos que fazem parte dessa linda família. Seguem as fotos.

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Aniversário da Tenda Espírita Pai Mané de Arunda

NOSSO QUILOMBO ESTÁ EM FESTA!

SARAVÁ TODOS OS PRETOS (AS) VELHOS (AS)!

Nesse mês de maio comemoramos a fundação e a inauguração de nossa Tenda Espírita. 

Completamos exatos 34 anos de fundação e 33 anos de inauguração, sempre embuidos de sentimento fraterno, baseados na fé e seguindo o lema da Umbanda que é:  a manifestação do espírito para prática da caridade. 

Deixamos de presente para todos os nossos seguidores um texto escrito por Nerita Oeiras que nasceu junto com a fundação da casa. Um texto que mostra o nosso Quilombo como nosso espaço de pertencimento. Esperamos que vocês gostem, mesmo escrito em espanhol.

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Nasci em um quilombo, por Nerita Oeiras

Nasci em um quilombo. Não no meio de um quilombo no sentido de caos, como às vezes escuto dizer aos argentinos. Umquilombo mesmo, palenque, cimarrón,cumber, maroon society ou como quer que seja o nome que decidamos dar a esse lugar de refugio, proteção e resistência dos povos afrodescendentes em toda a América colonizada. Mas eu não sabia que havia nascido em um quilombo.Nossa casa de caridade se chama Tenda Espírita Pai Mané de Aruanda, e é um terreiro de Umbanda. A Umbanda é uma religião afro-brasileira que tem uma só regra: buscar manifestar a espiritualidade na prática da caridade. Eu não tinha plena consciência do significado de uma frase tão simples. Para mim, o terreiro era mi segundo lar,o ponto de encontro da minha família (que não era uma família apenas consanguínea), um lugar de oração, de festas, de cura espiritual e também física, de descanso e, principalmente, um estilo de vida: ajudar aos mais necessitados. Quando eu dizia aos meus amigos que vinha de um lugar cujo propósito fundamental era ajudar aos demais, eles quase sempre imaginavam uma fundação ou pensavam que eu vinha de uma família de banqueiros, petroleiros ou algo do tipo. Porque, no imaginário de muita gente, é o rico quem pode ajudara os demais. Os países ricos ajudam a África, a Igreja Católica ajuda aos pobres de todo o mundo através de sua fundação Charitas.No nosso caso, nunca tivemos dinheiro. Ajudar aos demais nada tinha a ver com o fato de possuir riquezas.

            Éramos uma família mais para pobre,de um bairro “distante” do Rio de Janeiro. Vivíamos 7 pessoas num apartamento de 35m2Ç meus dois avós e seus 3 filhos adultos, meu tio-avô e eu. Meu avô trabalhava no porto, numa empresa de exportação de café, e minha avó fazia bolos e salgados para vender. Eu nunca pensei que nós éramos “pobres”. Eu conhecia pessoas muito mais “pobres” que nós. O bairro onde está localizado o terreiro às vezes não tinha água ou luz, e somente no ano 2012 que a Prefeitura asfaltou as ruas de terra. Eu tinha muito amigos nesse bairro, que vinham das muitas famílias que meus avós ajudavam todos os meses com uma cesta básica. Ir ao supermercado com meus avós era curioso, porque comprávamos todos os meses 10 ou20 litros de óleo, 20 quilos de açúcar (lembro de uns pacotes grandes de papeld e açúcar União, com letras verdes), quilos de arroz, etc. Além disso, todos os anos o terreiro ajudava a mais ou menos 200 crianças com roupas, materiais escolares e brinquedos novos. A ajuda não era reciclada, não é que oferecíamos as coisas velhas que já não usávamos.

            Meus avós são os “lideres” do terreiro, e dedicaram mais da metade de suas vida a ajudar aos demais. É possível que com o dinheiro que eles até hoje “gastam” em ajudar a famílias da comunidade local pudessem ter uma casa mais confortável, matricular seus filhos e netos em melhores escolas, ou simplesmente trabalhar menos. Mas lá no terreiro a gente aprende que se você já tem o suficiente, você se sente melhor se compartilha o que você já não precisa com os demais. E se você tem um conhecimento, você compartilha com os demais. Assim, toda a comunidade cresce.Se uma pessoa da comunidade vira dentista, advogado, o que seja, coloca seus conhecimentos ao serviço da coletividade. Tenho muito amigos que nasceram muito pobres, mas que graças à vida em comunidade puderam estudar, ir à Universidade,aprender idiomas, etc. Não graças ao terreiro, ao graças à minha família, mas graças à vida em comunidade.

            Um terreiro é uma forma de quilombo,assim como os afoxés, as agremiações de samba, as gafieiras, etc. Estas são unidades únicas de afirmação de culturas de matrizes africanas no Brasil. Para quem estão do lado de fora, no começo pode ser um pouco difícil entender o que queremos dizer quando constantemente nos referimos a “matrizes africanas”,porque a simples vista nos parece muito evidente que muitos de nós que crescemos nesses terreiros não somos negro nem nunca estivemos na África. Mas ao reconhecer como nossa a matriz africana, afirmamos que já não estamos regidos pelas matrizes eurocêntricas coloniais, que pertencemos a uma luta pela existência, que apesar da cor da nossa pele conhecemos nossa história e nossa ancestralidade e que nossa cosmovisão está mais alinhada com a cosmovisão das minorias historicamente reprimidas, oprimidas e subalternizadas, que são os nossos verdadeiros espelhos, nossos avós ou bisavós, nossa própria historia familiar, o lugar de onde viemos.

            Poderia parecer que um terreiro, por estar dotado de sentido comunitário, é como uma Igreja, mas não é. Como disse Abdias do Nascimento em seu artigo “Quilombismo, an afro-brazilian political alternative” (Quilombismo, uma alternativa politica afro-brasileira), esteespaços são “[…] tactics and strategies of survival, resistance and progress ofAfrican communities in contemporary Brazil” (Nascimento 1980, 153), ou seja,táticas e estratégias de sobrevivência, resistência e progresso das comunidades africanas no Brasil contemporâneo. Minha bisavó, que também se chamava Nerita,poderia ser considerada negra. Através do terreiro, e muito além da atual corda minha pele, a nossa cultura familiar, que é negra e de matrizes africanas,pode sobreviver. Esta que é a cultura da minha família e de outra centra de milhares de famílias em todo o Brasil, estava destinada a morrer. No Rio deJaneiro dos anos 70, aproximadamente 50% da população era pobre e morava em favelas. Destas pessoas, 90 % eram negros. Concordo com o pensamento de Abdias do Nascimento, que afirma que os negros se viam obrigados a adotar os costumes da cultura dominante para garantir a sua sobrevivência. Durante séculos viveram no limite do que se pode considerar humano, sempre tendo que ceder a sua zona do ser com a finalidade única de sobreviver, de comer.  Mas o negros encontraram primeiramente os quilombos, e logo os terreiros, sambas e gafieiras, unidades de resistência em donde podiam ao mesmo tempo ser e sobreviver. Sobrevivemos graças ao apoio de nossa comunidade. Desde estes espaços, garantimos a nossa existência como seres humanos. Estes são espaços onde o negro pode recuperar a sua liberdade e a sua dignidade, escapando de um encarceramento social, econômico, politico,religioso, etc. Ao construir sus vidas em torno dos quilombos, os negros se recusaram a submeter-se à exploração de um sistema que até mesmo nos dias de hoje utiliza dinâmicas coloniais escravistas e violentas. Os negros não ocupam espaços de articulação do poder e continuam sendo excluídos, vivendo às margens desse sistema. No entanto, no quilombos persiste a sua identidade, um lugar único que podem ocupar com liberdade.

            Os terreiros de Umbanda e outros quilombos são espaços que possuem dois significados, um “casa adentro” e outro“casa afora”. “Casa adentro”, o terreiro é um espaço que reforça os laços de solidariedade entre os membros de sua comunidade, promovendo entre eles valores e mantendo uma sabedoria ancestral que vai muito além da religiosidade. Um terreiro é um espaço onde se articulam politicas comunitárias, onde se difundem conhecimentos sobre medicina ancestral, onde se transmitem cantos e toques de tambor. Lá, oralmente, se conta a outra historia do Brasil, aquela que não está nos livros e que não corrobora com as dinâmicas do poder, mas que é essencial para garantir a sobrevivência das comunidades negras e pobres, historicamente invisibilizadas pela historia e cultura “oficiais” . Sua função principal é gerar a memória coletiva de uma comunidades que insiste em não desaparecer,lutando contra o esquecimento porque entendeu que o esquecimento fragiliza a mesma comunidades e que somente a partir da memória é que podemos combater a desagregação.

            “Casa afora”, as instituições do poder querem que estes espaços se convertam em pontos turísticos, quem desacreditar a religião chamando-a de “magia”, querem exigir que espaços como estes paguem impostos, como se sua finalidade fosse gerar lucros. As instituições politicas buscam fazer da ancestralidade um folclores, convertê-la em espetáculo, numa tentativa por silenciar as vozes que aí se articulam, de dissuadir a resistência secular que estes espaços representam. “Casa afora” os terreiro, gafieiras e agremiações de samba sorriem e cantam, mas não deixam de lado a luta quilombola silenciosa que os caracteriza “casa adentro”. A luta quilombola é “[…] a construção de conhecimentos desde a ação e para a ação”(Arboleda, 2014), um luta pela memória do saber negro que persiste através dos séculos, uma memória que será útil para os negros e todos os povos oprimidos em suas reivindicações por ocupar, num futuro, poder ocupar espaços de decisão.

            Tendo crescido num terreiro, nunca tinha percebido que aí se cria uma consciência única sobre o ser e sobre a vida em comunidade que não é facilmente compartida com aqueles que não participam da comunidade, e que não existe para ser um espetáculo em eventos sociais. É uma dimensão histórica intangível e íntima. Como menciona Santiago Arboleda, estes não são espaços unicamente religiosos, ou unicamente políticos, ou unicamente comunitários, porque nós que aí crescemos não vemos a espiritualidade, as políticas sociais ou a comunidade como entidades desassociadas, separadas. Elas caminham lado a lado, e não podem ser instrumentalizadas a favor das ciências sociais ou das instituições, porque fazem parte de nossa forma de posicionarmos ante ao mundo, que é uma forma única para nós que nascemos negros, pobres ou ambos. Esta visão é o que nos permite existir, é a ferramenta principal que temos para seguir sendo seres humanos, enquanto um sistema de matriz eurocêntrica continua a negar-nos a possibilidade de existir. Sem o terreiro,minha família não seria a mesma, eu não seria a mesma. Este é o espaço que nos mantém unidos, que mantém viva a história de onde viemos, que me permitiu conhecer o outro Rio de Janeiro, que me permitiu entender o que quer dizer ser pobre ou rico, o que significa lutar pelo bem-estar coletivo. Foi a TendaEspírita Pai Mané de Aruanda que nos deu forças para superar adversidades, que não foram poucas. É um dos poucos lugares no mundo onde eu me sinto realmente em casa, onde não existem máscaras ou outras peles que vestir. Aí, vivo baixo a guia e proteção de todos meus orixás, que se manifestam neste plano terrenal através de meus tios, primos ou irmãos, carnais ou espirituais. Aí sou, desde aí falo. O quilombo é meu lugar.

Bibliografia

Arboleda,Santiago. 2014. Seminário EnfoquesPlurales Sobre el Mundo Andino. 16 de dezembro. Universidad Andina SimónBolívar, sede Quito, Equador.

Nascimento,Abdias. 1980. “Quilombismo: an afro-brazilian politcal alternative”. En Journal of Black Studies,vol. 11, no.2., pp 141-178. Thousand Oaks: Sage Publications, Inc.

 

Lista de referencias

Arboleda, Santiago. 2014. Asignatura Enfoques Plurales Sobre el Mundo Andino. 16 de diciembre. Universidad Andina Simón Bolívar.

Nascimento, Abdias. 1980. “Quilombismo: an afro-brazilian politcal alternative”. En Journal of Black Studies, vol. 11, no.2., pp 141-178. Thousand Oaks: Sage Publications, Inc.

Umbanda linda.

Li esse texto que foi publicado no facebook e compartilho.

Se você é um médium que, ao terminar os trabalhos, sente uma alegria enorme não se importando se trabalhou incorporado ou se “apenas” ajudou na organização da casa.

Se você sente-se honrado por ter a oportunidade de sentir a presença dos maravilhosos Pretos Velhos que, com sua grande humildade e sabedoria, conseguem recolher as lágrimas mais profundas de nossos irmãos; ou dos Caboclos para quem emprestamos nossos singelos braços para que eles possam abraçar nossos irmãos e assim torná-los fortes e guerreiros; ou ainda por poder sentir o Senhor Ogum, “Rei das Demandas”, e segurar sua Espada da Lei em nossas mãos…

Se você esforça-se para fazer sua reforma íntima antes de exigi-la dos outros.

Se você acredita no merecimento (não em milagres), na Lei, na Justiça, no carma, na reencarnação e na natureza como sendo a nossa força e o nosso Axé.

Se você acredita ser responsável pelos trabalhos realizados pelos Guias Espirituais diante de sua condição de intermediário entre nós e o plano superior e se busca o conhecimento.

Se você entende a Umbanda como religião com fundamentos, liturgias e doutrinas próprias e trabalha pela evolução e conscientização da “Religião Umbanda” diante de toda a sociedade mostrando como a Umbanda é linda, simples e poderosa.

Então você realmente ama a Umbanda, afinal não se pode amar aquilo que não se conhece ou de que se envergonha. Mas se tudo isso e os fundamentos da Umbanda servem para trazer discórdia, desânimo, peso, dúvida, cansaço, obrigação… então, reavalie sua vida espiritual…

Vestir o branco é um orgulho

É ser filho de Oxalá, é ser puro de alma diante dos Orixás!

Fonte: clique aqui

Salve 13 de maio

Peço licença ao meu amigo Marcos Andrade para publicar seu ponto texto, sobre nossas queridas entidades pretos e pretas velhas. Com esse ponto, prestamos a nossa singela homenagem ao  guia espiritual da nossa tenda, Pai Mané de Aruanda. 

ME FALES MAIS DESSA ESTRELA
(Marcos Andrade)

Me dê licença de usar tua bengala;
Meu preto-velho, quem está cansado sou eu.
Deixe, vovô, eu me sentar no teu banquinho;
Tanta pedra no caminho,
Tanta dor!
Tanto doeu!

Te lembras daqueles dias de esperança,
Quando eu era tão criança,
Te escutando no terreiro?
Dizias: “Filho, tua benção será vinda,
Tua estrela é muito linda;
Ela clareia o mundo inteiro”

Vovô, me fales mais dessa estrela.
Por favor, me deixes vê-la;
Eu já não aguento a treva.
Quero um abrigo, um repouso na jornada;
Se prossigo a caminhada é porque a fé ‘inda me leva.

Tua força tão serena
É miúda na aparência,
Mas eu creio, preto-velho,
No poder da tua essência.

Luz de Aruanda,
Aceites meu canto de jongo.
Adorei as almas santas;
Eu te saúdo, oh, Rei Congo! 

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