Gira de Exu

Uma conversa com o nosso dirigente, Ivo de Carvalho, sobre a Gira de Exu. 

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Ganga Fundanga

Ganga

A palavra Ganga, na realidade “Nganga” palavra de origem kimbundo significa mágico, feiticeiro ou vidente… Para os angola-congolenses seria a denominação do chefe supremo, seria o mesmo que Tata ou o Grande Alufá… Era denominado com esse nome Ganga, os chefes dos antigos terreiros cabindas.

Fundanga

É instrumento utilizado, em alguns terreiros, no final da Gira de Exu, onde somente pode ser realizada, com a presença do Sacerdote Pai ou Mãe de Santo do Terreiro. Ela é presidida pelas entidades Chefe,  onde o Guardião Seu Tranca Ruas das Almas, juntamente com o Guardião do terreiro, no nosso caso – Seu Sete Estrada, “ativam um espiral, abrindo o portal de uma terceira dimensão”, onde no momento da queima da pólvora, ocorre uma limpeza de todos que participaram da gira. É nesta hora que os Guardiões agem pela misericórdia Divina, buscando onde quer que estejam, os espíritos trevosos obsessores, espíritos e falanges das sombras, chefes e todos os seus comandados, que por ventura estiveram em visita no Terreiro. Toda esta falange é convidada a se retirar, através de um minucioso plano estratégico traçado pelos Guardiões, porque caso contrário, continuam atuando e desestruturando o equilíbrio do local e de seus frequentadores. A massa densa e negativa que envolve a Terra, é fruto de espíritos inferiores que atuam com o auxílio dos que ainda habitam o planeta vibrando negativamente, com pensamentos e atos egoístas, invejosos, ambiciosos e de desamor. Estas atitudes vão contra as Leis Divinas, onde Olorum (Deus todo Poderoso ou Zambi) “gritou” pelo Amor Maior, através de seu filho Perfeito Oxalá (Jesus) que ensinou e demonstrou o Amor em sua forma e ação sublime. É com a autorização e em nome de Oxalá que tão despretensiosamente e caridosamente vêem todo esse exército – Os soldados da Luz – trabalhar em prol dos irmãos necessitados de auxílio e de Luz.

A pólvora é usada como um acelerador de partículas. Através da liberação de gases, acontece o movimento frenético das moléculas de água que compõem o nosso campo magnético, campo esse denominado de aura, energia resultante da queima das células de todo o corpo dirigido pelo cérebro, centro de comando do espírito, energia sutil apenas detectada em fotolitos.

A pólvora em queima, libera seus elementos sutis que interage neste campo liberando o vampirizado do cordão fluídico denso e negativo. Com o movimento frenético das moléculas dá-se o rompimento do mesmo liberando ambos os espíritos para o devido tratamento, acontecendo de forma idêntica com as larvas astrais que como ‘’carrapatos’’ do espírito se desgrudam e se desintegram na corrente elétrica provocada pela queima da pólvora.

Nenhum espírito é queimado pela pólvora. A sensação do mesmo na hora da queima é de um choque elétrico provocando na maioria das vezes um desmaio temporário ou um torpor dos sentidos do espírito inferior.

A pólvora é um elemento material utilizado para vibracionar o campo das energias sutis do corpo, assim como a água fluidificada é carregada de energia para que atue nas células do corpo físico e também igualmente como o passe magnético potencializador dos elétrons que pulam das mãos do médium para o corpo do receptor agindo nas células do corpo físico, fazendo então uma limpeza em todo corpo astral, espiritual e perispiritual do indivíduo assistido.

Portanto, só quem pode manipular, dentro do Terreiro a fundanga é o Chefe Supremo, o Babalorixá, o Sacerdorte com maior cargo dentro daquele espaço, pois a fundanga possui dois efeitos, se não for bem manipulada pode despertar as energias negativas. 

Vídeo: Tony Alves

Fonte: http://exuepombagiranaumbanda.blogspot.com.br/2012/08/fundanga-polvora.html

Exu não é Diabo

A partir de algumas leituras sobre Exu, resolvi escrever, tendo como base principal da colocações o artigo de Núbia Rodrigues e Carlos Caroso, ambos da Universidade Federal da Bahia, “Exu na tradição terapêutica religiosa afro-btrasileira”. Esse artigo faz parte do livro: Face da tradição afro-brasileira, organizado por Carlos Caroso e Jeferson Bacelar. 

Exu não é Diabo

A associação que muitas religiões fazem de Exu com o Diabo é completamente errônea e improcedente dentro da Umbanda. Existe uma vasta e reveladora biografia sobre Exu, mas cada terreiro, templo, centro, choupana, sentem, entendem e cultuam o Exu a sua maneira. O que deve ser esclarecido é: que para os umbandistas Exu é entidade e não Orixá. Entendendo como entidade espíritos que já tiveram encarnados nesse plano terrestre. Houve, dentro do culto umbandista, uma ressignificação da figura do Exu.

No Candomblé, seu status é de orixá mensageiro, como na África, estabelecendo o contato dos homens com os outros orixás. Esta função está bem estabelecida no jogo oracular dos Búzios, onde é Exu quem leva as perguntas e traz as respostas, traduzindo-as, sendo às vezes, (como já foi dito) ele próprio quem as responde.  Mesmo no oráculo de Ifá (opelê-ifá), do qual o jogo de búzios é uma variante mais simples, Exu aparece como o orixá que revela os segredos da adivinhação para Ifá e posteriormente o revela também aos homens, pois Exu é o princípio comunicador de tudo e de todos. Exu é considerado um Orixá, um caráter de divindade, que segundo Pierre Verger:

 “É a figura mais controvertida dos cultos afro-brasileiros e também a mais conhecida. Há, antes de mais nada, a discussão se Exu é um Orixá ou apenas uma Entidade diferente, que ficaria entre a classificação de Orixá e Ser Humano. Sem dúvida, ele trafega tanto pelo mundo material (ayé), onde habitam os seres humanos e todas as figuras vivas que conhecemos, como pela região do sobrenatural (orum), onde trafegam Orixás, Entidades afins e as Almas dos mortos (eguns).”

Por se tratar de uma entidade que é pensada como ambivalente, muitas interpretações são apresentadas sobre ela, tanto de cunho religioso como antropológico. Geralmente ele aparece dentro da concepção cristã do Diabo, portanto negativa, vinculada a propagadora do mal e promotora de trabalho de magias que traz ganho financeiro para que o realiza. Segundo Núbia Rodrigues e Carlos Caroso, citando Valente (1977) e Trindade (1985), no seu artigo intitulado, Exu na tradição terapêutica religiosa afro-brasileira:

“Exu é, na verdade, o Mercúrio africano, o intermediário necessário entre o homem e o sobrenatural, o intérprete que conhece ao mesmo tempo a língua dos mortais e a dos Orixás. O princípio dinâmico da existência cósmica e humana é simbolizado nas religiões ioruba e fon, pela divindade Exu. Ele é um princípio, transporta o axé, mantendo a intercomunicação entre diferentes domínios do universo. A força vital é única e várias são as suas manifestações, transmitidas através de Exu aos seres e domínios do universo. […] No Candomblé, Exu é o resultado de um processo onde se perderam os quadros sociais de referência, em decorrência da desagregação sociocultural do escravo africano. Houve, portanto, o deslocamento de símbolos provenientes de uma estrutura lógica de pensamento para adquirir novos sentidos fornecidos por outro contexto de relações estruturais”  

O significado original africano diz que Exu é como o deus que participa de todos os domínios da existência cósmica, mas para a Umbanda ele não só domina essa existência como está muito perto do mundo em que vivemos, assumindo um papel muito mais dinâmico e ambivalente, posto que, pode ser sentido como positivo ou negativo. Embora haja essa colocação, nós da Tenda Espírita Pai Mané de Aruanda percebemos, sentimos e vivenciamos sempre o lado positivo da entidade, estabelecendo uma relação de troca onde as obrigações são negociadas – Exu ajuda o consulente e o mesmo retribui a ajuda concedida.

Muitas atribuições de Exu passaram do candomblé para a umbanda, onde seus “pontos” são firmados” nas entradas dos terreiros e também dos barracões, os exus de umbanda passaram a ter características específicas de acordo com o terreiro (mas sempre como egún), a história de vida de seus dirigentes, e o sincretismo praticado em cada casa. Na umbanda atual, os Exus seriam entidades em desenvolvimento espiritual e moral.

Outras doutrinas veem Exu como uma entidade que deve ser evitada porque não faz parte do campo sagrado, só enxergam nela o aspecto negativo que precisa ser doutrinado, entendo que tal entidade, depois que desencarnaram, não aceitaram sua nova condição. Exu pode transitar pelos dois mundos, os dos vivos e os dos mortos, ele rompe essa fronteira, ratificando o seu papel de mensageiro. Sobre isso leiam a seguinte citação:

“Segundo Parrinder, o deus ioruba Exu, chamado Legba pelos Emé, ‘não desfruta de uma posição do mesmo nível que os deuses (africanos); ele não tem nem clero e nem centro de aprendizado para fiéis. Na realidade se associa a toda divindade como intermediário entre elas e os homens’. Esta característica diferencial de Exu se manifesta no seio da própria linguagem mitológica ioruba, pois o deus não figura na lista dos orixás que nascem do ventre de Iemanjá. O papel do intermediário entre os deuses e os homens foi suficientemente estudado por Herskovits, que associa exu ao culto de Ifá (o destino) mostrando sua importância enquanto mensageiro divino […] Exu aparece então como tradutor das palavras divinas, por isso ele introduz o acaso na ordem do mundo; enquanto intérprete das mensagens divinas; ele detém um poder de avaliação, que lhe permite alterar o destino dos homens. ”

Para terminar trago o conceito de Exu do nosso dirigente Ivo de Carvalho. Ele faz a seguinte analogia: “durante construção de um edifício são necessários vários trabalhadores que ocupam diversos cargos, desde engenheiro da obra até o peão, passando pelo mestre de obras, pedreiro, etc., pois então o Exu é aquele que permanece até o final da obra e limpa toda a sujeira que ficou; é a mão de obra que realiza a limpeza bruta, a que dá os retoques finais para que outros possam ocupar aquele lugar que foi higienizado e limpo por ele.”

Os espaços sagrados de Exu são os lugares públicos, as entradas das cidades, das casas, das vilas, feiras, entradas de templos, além dos templos erigidos em sua homenagem. São nestes lugares, que seus assentamentos são colocados; característica esta que foi repassada para algumas correntes de pensamento umbandista.

Laroiê!

Exu Mojubá!

 

Sempre é bom parar e refletir

Gostaríamos de esclarecer que a Tenda Espírita Pai Mané de Aruanda não realiza nenhum tipo de trabalho de demanda. Não trazemos ninguém de volta e muito menos fazemos mal a alguém. Na Tenda se prática a caridade. 

Alerta

Para que não nos julguem sem saber. 

Retrato dos Deuses Africanos – Orixás

Navegando pela rede social, me deparei com um site compartilhado por uma amigo “faceboquiano”, Marco Andrade. O site, na verdade um blog, Pêssega d’Oro, mostra uma série fotográfica de representações dos Deuses do panteão africano realizada pelo fotografo, James C. Lewis,  que pode ser vistas clicando aqui Vale a pena conferir! São fotos delicadas, um trabalho estético refinado como os nossos Deuses merecem. 

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Linhas na Umbanda

Segundo o Dicionário de Cultos Afro-brasileiros de Olga Gudolle Cacciatore, a Linha na Umbanda é:

“uma faixa de vibração, dentro da grande corrente vibratória espiritual universal, correspondente a um elemento da Natureza, representada e dominada por uma potência espiritual cósmica – um Orixá, também chamado Protetor e que é chefe dos seres que vibra, e atuam nessa faixa afim. Exemplo: Linha de Oxalá. É subdividida em Falanges, dirigidas por representantes do Orixá.

A linha dentro da Umbanda também é conhecida como:  “Conjunto de Falanges em que subdivide uma faixa vibratória ou conjunto de representações (corporal, danças, cores, símbolos) e rituais (comidas, bebidas, dia de semana e etc.) de cada Orixá ou Entidade.”

Além dessas duas acepções existe uma terceira: “Conjunto de cerimônias rituais de determinado tipo. Exemplo: Linha de Angola, Linha de Umbanda, Linha Branca, etc.” 

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No site do Centro Espírita Urubatan tem uma boa explicação sobre as sete linhas da Umbanda. Clique aqui 

COMUNICADO URGENTE!!!

Queridos irmãos,

 

Por causa do próximo feriado do dia 12 de outubro, a direção da Tenda Espírita Pai Mané de Aruanda resolveu cancela a sessão de Preto-velho que ocorreria nesse dia, pois muitos médiuns sairão de viagem. Nos vemos no próximo dia 26.10.2013, na sessão de Exu

Um presente

Muitos dias sem publicar, estava com outros afazeres, mas hoje li um texto do nosso amigo Marco Andrade que pode muito ser lido em homenagem aos nossos Orixás, além disso publicamos também o vídeo do último festival – Tributo ao seu Tiriri, que aconteceu na casa de Pai Armando de Oxossi. 

Leiam, assistam e reflitam sobre as palavras deixadas por Marco Andrade. 

Quem?

Esquece o silencio que te assombra e te entrega ao disparate de ser livre;
Voa alto e sonha como virgem triste em ser amada;
Navega por teu ímpeto desejo, e, então, entregue-se no mais longo beijo…..na suavidez da vida que quer te beijar;
Retorna só então à tua maratona. Segue teus dias tao comuns, e não te faz austero…
Amável e doce em tua caminhada, refaz tua jornada, e , até quem mesmo eras, já não vais lembrar.
Quem me dera ser o véu dourado que cobre teus olhos;
O cobre molhado que tinge teu olhar;
O suor que umedece o corpo vestido e escorre pelo corpo nu;
O espelho que revela a idade, a língua que exibe a maldade… A volta, o recomeço, quem me dera ser.
Ser sua fantasia, te encontrar, te excitar;
Sem melancolia te fazer gozar.
Quem me dera amar do teu jeito; me esbaldar no teu peito, sem querer casar…
O ouro dos teus cabelos, o cobre dos teus olhos, a imagem do teu espelho, a saliva da tua língua…teu gozo, ou um pouco de ti…
Quem me dera ser, pra eu, enfim, existir. 

Marcos Andrade