História de um Preto-velho

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Texto retirado da página do facebook: Em Defesa da Umbanda

Tudo começou na pequena Paranapiacaba, uma vila pitoresca, com arquitetura e clima que lembra as cidades inglesas do século XIX e destinada à moradia dos trabalhadores da Rede Ferroviária Federal.

As casas – algumas mais simples (onde moravam os trabalhadores mais humildes), outras mais requintadas (que abrigavam os engenheiros da ferrovia, os verdadeiros mandatários da empresa) – eram de madeira, pintadas de um tom entre o vermelho e o marrom, enquanto as de alvenaria, mais simples, eram pintadas de cal com um pigmento amarelo.

Parece que esses detalhes imprimiam um aspecto ainda mais melancólico ao local.

Mas a casa onde dona Lidia morava não se encaixava em nenhum desses quesitos.

Era uma casa extremamente humilde, de madeira, já bem úmida e surrada pelo tempo, a última casa da rua abrigava a boa senhora, o marido e o casal de filhos.

Os fundos do quintal davam para a mata fechada, que era bela, mas trazia alguns problemas, tais como a invasão de animais indesejados (cobras, morcegos, sapos), além de causar uma sensação de insegurança bastante justificável – tipos suspeitos costumavam se esgueirar por aquele local, sabe-se lá com qual finalidade.

Tudo isso deixava dona Lidia apreensiva, pois seu marido, seu Sergio, saía para trabalhar antes do amanhecer e só voltava ao cair da tarde.

Isso a fazia sentir-se refém da situação, junto aos filhos, durante todo o dia.

Em uma triste ocasião, um vizinho maldoso tentou arrastar a filha do casal para o matagal, com as piores intenções.

Só não conseguiu seu intento porque outros moradores perceberam o movimento e agiram a tempo.

A vila era pequena e existiam algumas casas, melhor localizadas, que estavam desocupadas.

Dona Lidia sempre pedia ao marido que solicitasse junto à sua chefia uma outra moradia, mas ele sempre retornava dizendo que o pedido havia sido negado.

Numa atitude de desespero, sem que o marido soubesse, ela pegou os dois filhos e foi São Paulo, tentar conversar com o superintendente da RFFSA.

Após horas de cansativa espera foi atendida. O engenheiro a recebeu bem, ouviu a sua história, mas cordialmente disse que não atenderia o seu pedido.

Explicou que seu Sergio era um excelente profissional e dentro da empresa somente ele dominava a técnica de desenhar manualmente (naquela época era assim) as letras que identificavam os vagões. 
No entanto, por ser consciente disso, era um tanto abusado em seu comportamento.

Desrespeitava a hierarquia da empresa, não cumpria corretamente seu horário de trabalho, brigava, discutia com os superiores, enfim, era bom no que fazia, mas não era merecedor de privilégios devido ao mau comportamento.

Dona Lidia foi embora arrasada, deprimida.

Precisava sair daquela casa a qualquer custo.

Sentia um nó na garganta, mas segurou o choro para não abalar as crianças.

Resolveu então visitar uma cunhada que morava ali perto, a fim de desabafar um pouco.

Chegando lá, falou sobre sua angústia e a cunhada, percebendo que ela não estava bem, convidou-a a ir até uma vizinha que era benzedeira.

Lá chegando foram prontamente atendidas e a senhora incorporou uma entidade que se identificou como o preto velho Pai João Benedito.

O bom espírito deu um passe em dona Lidia e seus filhos e, depois de falar palavras de conforto, disse:

“A fia pode ficar sossegada, esse preto velho vai ajudar a fia a conseguir o que precisa”.

Dona Lidia voltou para casa mais leve, já conformada em ter que viver naquela casa velha, úmida e sem segurança.

Mas ao menos sentia que estava protegida espiritualmente.

Algum tempo se passou e a conversa com o preto velho já estava caindo no esquecimento, afinal, como um espírito de um escravo poderia interferir na mudança de uma casa?
.
Uma noite, seu Sergio adormeceu assistindo à TV junto com a filha no sofá da sala.

Dona Lidia cansada do trabalho diário, foi para a cama e colocou o filho mais novo na cama (a casa era tão pequena que todos dormiam no mesmo quarto).

Quando estava quase adormecendo ouviu barulho vindo da janela do quarto.

Seu medo foi tamanho, que ficou paralisada: não conseguia se mover ou gritar pelo marido.

Seu medo aumentou quando lembrou que a cama em que o filho pequeno dormia ficava logo abaixo da janela.

Ainda paralisada e apavorada percebeu a janela se mexer e viu que lentamente alguém a levantava.

Em poucos minutos o ladrão estaria dentro do quarto e, pior que isso, poderia fazer o pequeno menino de refém.

Os poucos segundos pareceram uma eternidade.

Quando enfim a janela estava aberta, um homem negro, de cabelos levemente grisalhos enfiou a cabeça pela janela e olhou diretamente nos olhos de dona Lidia.

Foi nesse instante que ela saiu daquele torpor e conseguiu gritar por socorro. Seu marido acordou assustado e veio correndo.

Nisso o negro soltou a janela, que desceu com violência, quebrando todos os vidros, e sumiu no mato.

A polícia foi chamada e vasculhou todo o matagal sem encontrar qualquer indício do invasor.

A janela mostrava os sinais de arrombamento e, felizmente, os cacos de vidro não causaram sequer um arranhão no pequeno menino que fora atingido pelos estilhaços.

Se tratando de uma vila pequena, o caso se tornou conhecido de todos os moradores.

Todos comentavam sobre a casa no matagal, que expunha seus moradores aos mais diversos riscos.

Diante da situação, os mandatários da RFFSA ficaram preocupados, pois se algo mais grave acontecesse, especialmente às crianças, eles poderiam ser responsabilizados.

Trataram então de ceder uma nova moradia à dona Lidia e sua família, num local mais tranquilo e seguro de Paranapiacaba.

A casa velha e úmida foi demolida. Ninguém mais sofreria nela.
A mudança foi feita. Na nova casa dona Lidia iniciou uma nova vida, mais tranquila e feliz.

Algum tempo depois visitou a cunhada e novamente foi convidada a “tomar um passe” com aquela mesma benzedeira, que de novo incorporou a doce figura de Pai João Benedito.

Após breve conversa, o velhinho perguntou a dona Lidia:
-“A fia está feliz na casa nova?”

Ela respondeu que sim e começou a relatar o ocorrido, quando tentaram invadir a casa, porém foi interrompida pelo preto velho, que disse:

“-Não precisa contar, não fia… eu sei o que aconteceu. 
Quem levantou aquela janela não foi um ladrão e nem alguém que queria fazer mal para você e sua família.

Fui eu que estive lá.

Com a confusão que causei os homens que mandam acharam melhor dar uma casa nova para a fia morar”.
Dona Lidia ficou sem palavras, então o preto velho continuou, dizendo que a acompanharia e sempre que precisasse, para chamar pelo seu nome.

Pediu também que ela não esquecesse de colocar um cafezinho para ele todos os dias. 
Assim ela fez até o último dia de sua vida.

O filho de dona Lidia, depois de adulto, iniciou-se na Umbanda.

Aos poucos foi desenvolvendo sua mediunidade e recebendo suas entidades.

Quando o seu preto velho se manifestou pela primeira vez, perguntaram seu nome, ao que prontamente ele respondeu:
Sou Pai João Benedito, um nêgo veio que trabalha humildemente na Umbanda.

Acompanho esse cavalo desde que ele era um cabritinho.

A mãe dele foi sempre grata e fiel a mim, nunca se esquecendo de me oferecer um cafezinho num cantinho discreto da sua casa.

Agora eu vim para dar continuidade ao meu trabalho de caridade através desse menino, que eu conheço tão bem e que tantas vezes já orientei e protegi sem que ele nem percebesse.

Assim é a Umbanda: usa de meios que num primeiro momento não entendemos, usa métodos que até duvidamos, mas que sempre objetivam o nosso bem.

Assim são os pretos velhos: trabalham discretamente, de maneira sábia e humilde, sem pedir nada em troca, no máximo um cafezinho, que serve mais para reavivar nossa fé do que para qualquer outra coisa.

Salve Pai João Benedito.
Adorei as almas.

Fonte:Casa da Vovó Maria Rosa
Douglas Fersan

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COMO SABER SE O TERREIRO DE UMBANDA É SÉRIO?

A primeira coisa que todos nós devemos saber é: nenhum terreiro é perfeito, todos eles possuem suas qualidades e defeitos pois trata-se de ambientes compostos por uma comunidade de pessoas, que como todo ser humano possui falhas, são imperfeitas. Portanto, se o seu terreiro não possui algum dos sinais que estão apontados neste artigo, não quer dizer que ele não seja de confiança, esses são apenas indícios de boas condutas dentro do terreno sagrado da Umbanda.

6 SINAIS QUE NOS DÃO CONFIANÇA DENTRO DO TERREIRO

1 – BOAS ENERGIAS

Um terreiro de Umbanda é um local sagrado, onde pessoas que se reúnem para elevar-se espiritualmente. Muitas pessoas, por falta de conhecimento ou informações pré-concebidas, acabam tendo medo do terreiro. Mas com o tempo e o conhecimento do local acabam perdendo esse medo ao se sentir à vontade, num local com boas energias.

Quando um terreiro tem más energias, você costuma sentir aperto no peito, sensação de sufocamento e sai de lá sentindo a cabeça pesada. Se você não sente nenhum desses sintomas no terreiro e, ao contrário, sente boas energias, já é um ótimo sinal.

2 – A CONDUTA DAS PESSOAS

Ao frequentar, preste atenção no comportamento das pessoas no terreiro, do dirigente até a assistência. Se você percebe uma sintonia entre todos, harmonia e paz dentro do local é um bom sinal. O terreiro não é lugar de deboche, de fofocas ou de risadinhas fora de hora. Se na hora da gira perceber alguns sinais como esses, pode significar falta de compromisso por parte das pessoas que estão lá. Mas cuidado com o pré-julgamento, esse tipo de comportamento pode partir de apenas alguns frequentadores e não simbolizar o terreiro como um todo. Os dirigentes devem chamar a atenção de quem pratica ações que não respeitam o terreiro, se perceber que eles procuram evitar essas ações e trazer a harmonia pro local é sinal que a casa é séria.

3 – O COMPORTAMENTO DAS ENTIDADES INCORPORADAS

Preste atenção na forma como as entidades incorporadas agem. A Umbanda possui diversas linhas e práticas diferentes, em algumas delas é natural que as Pombagiras e os Exus façam uso de álcool, cigarros e gostem de gargalhar e esbanjar sensualidade. Mas se o comportamento é excessivo, com presença constante de abuso do álcool ou mesmo sexo explícito, não é um bom sinal. Para saber identificar se existem ou não abusos no comportamento das entidades incorporadas, o melhor é estudar sobre elas e entender sobre os seus comportamentos. Outra boa dica é avaliar se os conselhos emitidos pelos guias transmitem mensagens positivas de paz para o consulente.

4 – A HARMONIA

A curimba é um elemento essencial em um Terreiro de Umbanda. Se no terreiro a curimba toca os instrumentos de forma harmoniosa, ensaiada, afinada é um excelente sinal, pois demonstra respeito e dedicação aos guias e rituais. Pode ser que algum membro da curimba esteja ainda aprendendo a tocar os instrumentos e podem desandar a harmonia dos pontos, isso é natural, ninguém nasce sabendo. Mas esse aprendiz deve ter alguém acompanhando e ensinando como é se faz, isso sim é um bom sinal.

5 – A LETRA DOS PONTOS

A letra dos pontos diz muito sobre as práticas realizadas no local. Os pontos de Umbanda devem transmitir mensagens de paz, de harmonia, de amor. Se as letras fizerem referências malignas, lembrando diabo, satanás ou outras figuras negativas, fique atento. Pode ser que o terreiro trabalhe com algum sincretismo com o diabo da Igreja, já que esses seres não fazem parte do Universo Umbandista. Se não se sentir bem com os pontos, pergunte a algum dirigente sobre a presença dessas referências negativas, se existe o sincretismo. Se não houver, pode não ser um bom sinal, pois os pontos devem trazer elevação espiritual aos freqüentadores e não medo.

6 – ATENÇÃO AO BABALORIXÁ/YALORIXÁ

Essa dica é muito delicada porque depende muito da conduta e da linguagem utilizada pelo Babalorixá/Yalorixá em questão. Se você perceber que ele enfatiza muito o preço da consulta, indica que você realize inúmeros trabalhos para afastar coisas da sua vida e faz promessas de milagres e resultados rápidos, é melhor desconfiar. Essas promessas costuma aparecem quando o assunto é amor ou saúde. Todo trabalho realizado no terreiro é baseado na força da fé e não em promessas.

 

Texto retirado da página do facebook do CESAP –  Centro Espírita Santo Antônio de Padua

Nossos rituais

Por: Sid Soares

Se você está lendo isso se prepare, pois seu dia será marcado por rituais, a vida é feita deles, do simples fato de lavar o rosto, escovar os dentes, ao almoço de domingo em família ou o ato de queimar fotos e lembranças que nos trazem más recordações com a intenção de sepultá-las. Para isso nos valemos de tudo, fogo, objetos, e principalmente amigos, companheiros de caminhada que dividem conosco os pequenos atos sagrados de nossa intimidade.

Momentos bons e ruins devem ser marcados por rituais, isso fala a nossa alma e dão sentido e razão aos nossos sentimentos, passamos a vê-los de forma mais prática, concreta e viva, assim como aquilo que queremos pôr fora, seja bom ou ruim. Precisamos de um amigo para falar de nossas conquistas e vitórias, e também de nossas derrotas assim temos convicção de que se foi bom alguém irá sorrir conosco, ou o contrário e que depois é seguir em frente. Os ritos nos acompanham pela vida, em casa, na escola, no trabalho e nos templos.

Os ritos e rituais são muito importantes não só dentro da Umbanda como em outras crenças, tanto que o próprio Cristo viveu o batismo pelas mãos da Voz do Deserto e então se encheu do Espírito Santo, era chegada a hora do Seu testemunho.

Ainda que se diga que o mundo precisa menos de religião e de mais espiritualidade, seja qual for a religião, há no seu cerne a máxima de fazer o bem, de ser útil e do amor, e numa época onde tudo toma proporções maiores do que devem ter, onde o que norteia a maioria das pessoas é o EU e não o NÓS, a religião e seus ritos ainda são o prumo que nos auxilia o equilíbrio!

Mas todos os dias é necessário reforçar com as próprias forças essa caminhada, a busca pela ligação com o Mais Alto se dá a todo instante, na busca do autoconhecimento, na conexão com as forças da natureza que encerram os poderes divinos, no trabalho digno e acima de tudo na manutenção com nossa sagrada ligação com os mentores, com nosso anjo protetor.

Na humildade de saber que é preciso de uma outra mão por mais sábios e fortes que parecemos ser, há sempre alguém que nos conduz por águas tranquilas ao encontro com o Pai, renascendo de nós mesmos para os céus e se tornando parte dele, como João Batista fez com o Cristo de Deus.

Ritualize suas vivências, suas experiências ainda que pareçam simples. Eles ajudam a encerrar e iniciar os ciclos e libertam nosso coração, nos dão a possibilidade de recomeço, liberando nossas almas de amarras e criam laços com o Universo, assim como o vento que seja qual for o tempo ou direção, segue.

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Trajetória

Nosso dirigente, Ivo de Cavalho contando sua trajetória na Umbanda. Lindo vê-lo com tanta energia aos seus 82 anos de idade. 

Como não nos sentirmos orgulhosos de tê-lo como pai. Cada palavra um aprendizado, cada ponto uma oração. Entrevista realizada por Alex do Grupo de Estudo Braulio Goffman. 

 

7 coisas que você só descobre depois de se tornar Umbandista

1 – Usar branco não é fácil.

Pode parecer que é fácil, mas não é. 
Essa cor traz uma responsabilidade enorme. Você terá que aprender a vigiar seus atos, zelar pelo seu espiritual e entender que há irmãos que precisam, naquele momento, mais do que você. Então, você trocará festas, shows, amigos, bebidas e um dia de descanso, para se doar algumas horas para uma pessoa que você nunca viu e provavelmente nunca mais vai ver, mas posso te garantir, vale a pena.

2 – Você é um médium 24 horas por dia e não só no terreiro.

Não adianta você se enganar dizendo que é médium só no terreiro porque você não é. A mediunidade faz parte de você, sempre fez, e isso não vai mudar. Aos poucos você vai descobrir isso e entender que a espiritualidade não é culpada pela sua colheita. Eles te mostram um caminho, mas você tem um livre arbítrio e realiza suas próprias escolhas. Você planta, você colhe.

3 – As entidades não estão ali de brincadeira.

Nenhuma entidade está ali de brincadeira. Todas elas, sem exceção, estão ali para trabalhar, ensinar e também aprender, por isso, ouça-os com atenção e trate-os com muito carinho e respeito.

4 – Exu é uma entidade de Lei.

Você vai entender que Exu não esta ali para brincar, beber, fumar, dar em cima de alguém ou amarrar uma pessoa. Não. Eles não são assim. Exus e Pombo Giras são entidades que trabalham nos planos inferiores sob a Lei do Pai Maior. São eles que nos protegem na entrada, na saída e nas encruzilhadas dessa vida. Alguns são brincalhões outros mais firmes, mas todos carregam consigo a seriedade em seu trabalho, se utilizando somente da energia da bebida e do fumo, nada mais. E se for preciso Exu trabalhar sem a bebida ou o fumo, ele trabalhará, sem dúvidas.

5 – É preciso ajudar e não só participar.

Ser médium e fazer parte de um terreiro não é só chegar no dia da Gira e fazer seu trabalho. Não. Não é assim. 
O chão que você encontrou limpo, alguém limpou. A vela que você usou, alguém comprou. O banho que você tomou, alguém macerou. O local que você está, a luz que você utiliza e a água que você bebe, alguém pagou. Então, ajude… 
Ajude a limpar quando puder, leve o seu material de trabalho e, toda vez que possível, auxilie na compra daquilo que falta na Casa, colabore com o que conseguir para a manutenção do aluguel, da água e da luz. Não. Isso não é sua obrigação, eu sei, mas também não é minha e nem do Dirigente que ali se encontra. A obrigação é nossa. Nós temos que manter e cuidar do lugar onde nossa espiritualidade escolheu para trabalhar.

6 – Cansa.

Isso eu preciso te falar: Irmão, cansa. Existe um antes, durante e depois, vou explicar:
ANTES de todo e qualquer trabalho, o terreiro precisa ser limpo da maneira correta e as firmezas precisam ser devidamente cuidadas.  Você precisará se alimentar de maneira correta, tomar seu banho de defesa, acender suas velas e se direcionar ao terreiro, algumas horas antes do inicio dos trabalhos, para ajudar, tentando permanecer sempre em silêncio.
DURANTE todo e qualquer trabalho, você estará fornecendo e recebendo energias, então, é importante que o processo do ANTES tenha sido cumprido com rigor. Se você for médium de passe, lidará diretamente com energias. Se você for cambono, também lidará diretamente com energias, por isso, em todos os casos e cargos, é importante manter a firmeza.
DEPOIS de todo e qualquer trabalho, é preciso deixar o ambiente limpo de novo, então, pegue a vassoura, a pá, a esponja e mãos a obra. Dia seguinte você com certeza estará com o corpo dolorido, entretanto, digo mais uma vez a você: vale a pena.

7 – Você vai se apaixonar.

Independentemente dos 6 itens acima, você vai se apaixonar. Seja você um cambono, um médium de passe, um médium em desenvolvimento, um futuro sacerdote ou um simples consulente, esteja você na corrente ou na assistência, você vai se apaixonar por essa religião e nada, NADA, vai pagar a sensação de paz que vai te invadir ao receber um abraço sincero de alguém que você nunca viu, ao ver um sorriso no rosto de quem chegou chorando, ao ouvir o mais simples e sincero “obrigado”… Nada vai pagar.

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Caboclo Pena Branca

Aldeia do Caboclo Pena Branca

Palavras do nosso dirigente:

Em junho de 1985 fui agraciado com uma intuição para escrever a letra da cantiga do Caboclo Pena Branca.

Participação especial do Ogã Jorge Coelho

Gostaria de esclarecer que TODOS os pontos de Ivo de Carvalho são registrados. Eles podem ser cantados nos terreiros, nos centos, nas tendas, nos eventos de Umbanda, mas para comercializá-los só com a permissão do autor.

Letra do Ponto

Que lindo brado eu ouvi naquela aldeia
Naquela aldeia numa noite de luar
Era um caboclo que vinha chegando
Com sua flecha, seu bodoque e seu cocar

Que lindo brado eu ouvi naquela aldeia
Naquela aldeia numa noite de luar
Era um caboclo que vinha chegando
Com sua flecha, seu bodoque e seu cocar

Mas ele veio no clarão da lua
Iluminado por pai Oxalá
Ele é caboclo
Ele é guerreiro
Ele seu Pena Branca
Ele é o rei do Panaiá

 

“Eu vim lá de Angola, eu vim lá do meu congá”

Nós Negros e Negras brasileiras não devíamos esquecer essa data não, como alguns pretendem. Para mim, essa é a data mais importante, pois revela e diz que a LUTA deles NUNCA fora em vão e como diz meu amigo Wallace Lopez Espaçólogo, ainda vivemos o 14 de maio de 1988 até hoje. 

Segue o texto de Sid Soares para reflexão. Um belo texto.

Libertação
Me foi dito por uma entidade chamada Rosa, a quem eu muito agradeço os ensinamentos e mensagens que têm me trazido, que os navios negreiros agora são outros, e também são outros os quilombos onde buscamos nos refugiar e com isso, sem o entendimento das mudanças que nos cercam, na visão espiritual nós no plano físico corremos desesperados de um lado para o outro.

Cada um se refugiando em um esconderijo, um abrigo que a bússola da alma orienta. Segundo ela, o problema é a bússola e num momento onde vemos pessoas deixando pra trás suas casas, cidades e países, nós também somos refugiados, deixando pra trás nossa essência, nossa fortaleza, nossa esperança.

Os agentes divinos da Lei Maior estão trabalhando sem parar para acelerar o processo de evolução dos povos e nações, apressando processos de reencarnação e transmigração espiritual, clareando as mentes e os corações da humanidade e enquanto isso uma gama enorme de espíritos ligados a linha das almas, ou Yofá operam em nosso entendimento, nossos corpos mais sutis, fortalecendo nossa busca pela transformação do ser.

Mesmo que toda a sabedoria faça parte da mente humana, se faz necessário a orientação bondosa e serena de um preto velho, que visa libertar os filhos das encruzilhadas da alma. O cruzeiro ou madeiro, que é o símbolo da iluminação dos homens ultrapassando as esferas possíveis e nos guiando rumo ao impossível brilha hoje sobre o planeta como farol divino, mostrando as almas a direção do Bem.

Ainda que a violência nos assalte, seja na rua, em nossa casa ou mesmo dentro nós quando somos cruéis com nossos sonhos, o 13 de maio é um marco que se apresenta para todos na figura bondosa do preto velho ou preta velha que trabalhando, fazem mais que aconselhar, benzer, rezar…nos educam para a vida, para a nova vida. Não devemos confundir o olhar e a fala apaziguadora deles com uma subserviência humilhante, mas antes perceber que essa energia que recebemos deles é a energia do entendimento, da compreensão e da luta e perseverança pelo que é correto.

Onde houver e enquanto houver num 13 de maio uma oração, uma vela ou um copo d’água, onde houver um rosário ou um canto em louvor as almas e a essa Coroa Ancestral, por certo haverá também uma corrente luminosa ligando os planos da vida em favor do Bem Maior e do Mundo, haverá essa conexão entre a sabedoria e a persistência nos mostrando um caminho.

Nessa data onde os cruzeiros de todo o país se iluminam, os pretos velhos rogam a transformação dos filhos, do entendimento dos filhos. Oram pelo que ainda nos impede a caminhada, e somam forças pela liberdade dos povos começando pelos nossos olhos e corações pois como eles mesmo dizem: Só compreenderemos o sentido e a importância de liberdade quando enxergarmos de fato qual é a nossa prisão.

Rosa ainda me deixou duas perguntas libertadoras: Do que você tem fugido? Onde você tem se refugiado?

Sonhos – Sid Soares

Texto bom deve sempre ser compartilhado.

Ter sonhos, vontade de criar, de construir é o que nos move e nos faz sempre recomeçar. O sonho é ferramenta divina nos impulsionando às conquistas e realizações dentro de nosso merecimento e trabalho.

Um coração sem sonhos é um coração adoecido pelo cansaço de desencontros emocionais ou de decepções e como uma terra seca e árida fica o daquele que não sonha ou que não vislumbra horizontes e não há vida sem sonhos.

A água é o elemento principal da vida e das emoções, pois uma emoção bem trabalhada deve como a água, fluir e seguir seu curso. Ao termos uma emoção mal direcionada a mesma fica estagnada, água parada e suja!

Geradora da vida a água é a própria essência de mãe Iemanjá. Essa mãe Orixá é o útero divino, é quem sustenta a vida e quem ampara cada um de nós no momento do nascimento. Como cantamos, ela é geradora de tudo o que há, mas a geração só pode ocorrer quando há condições favoráveis para isso.

Uma semente depende de terra boa para germinar, e seguindo esse entendimento a terra seria nossa divina mãe Obá, Orixá da maturidade e do entendimento e que é a própria força telúrica, a segurança da terra firme. Apenas quando entendermos com segurança que a vida que nos foi dada tem o propósito sim de nos melhorar, mas que também nos foi dada para vivermos com plenitude, os sonhos voltarão a germinar e crescer.

Toda benção, todo presente divino depende de nosso entendimento em como receber e em como usufruir dessa benção!

Nossas sementes ficam sempre lá guardadas, como ovos no ninho de mãe Oxum, mesmo com a terra ressequida. Mas se o coração estiver maduro e consciente de que bate para ser feliz, as águas de nossa mãe por certo irão molhar essa terra e fazer germinar aquilo que sonhamos!

Sid Soares

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Foto: Sylvia Arcuri Pátio interno do Hospital Psiquiátrico Pedro II Engenho de Dentro

Exu Sete Estradas

Impressionante a história desse espírito. Nosso dirigente tem o privilégio de ser o médium que faz a ligação desse mundo com esse espírito. Sempre ouvi meu pai dizer que ele tinha sido um Soldado Romano. Estivemos em Roma e papai dava detalhes dos lugares onde esse espírito esteve. Agora, ele encontrou uma das descrições em uma página do facebook, na página de Erivaldo Oliveira, que diz o seguinte: 

“Lorde Juan Montés era um homem de muitas posses que vivia próximo a Toledo na Espanha havia herdado toda a riqueza de seus pais que morreram quando ele ainda era uma criança deixando-o sob os cuidados dos criados que eram de confiança da família, muito ambicioso acreditava que todas as formas de se ganhar dinheiro eram válidas desde que o mesmo fosse bem investido, então mesmo sendo muito rico se utilizava de furtos, chantagens e extorquia muitas pessoas e investia tudo em seus negócios, trabalhava com comércio e exportações que estava em alta na época.

Juan ficou sabendo de uma família de mercadores importantes do outro lado da Espanha e se interessou em se aliar e eles então marcou um jantar, só que Juan já havia agregado muitos inimigos no decorrer de sua vida, encarnados e desencarnados e mal sabia que o jantar era a deixa perfeita para uma emboscada armada por seus inimigos,como a viagem ia ser longa resolveu contar por quantas estradas passaria até chegar ao seu destino final, porém ao chegar na sétima estrada sua luxuosa carruagem foi atacada e ele foi cruelmente degolado aos 29 anos!

Passou muito tempo no baixo astral pagando suas dívidas e hoje é um ser de muita luz que ampara e ajuda muita gente, tenho um orgulho enorme e um amor incondicional pelo Guardião que carrego…Laroiê Senhor Sete Estradas!
ele vem na falange de Ogum e que em uma das suas encarnações foi um soldado romano, assim ele se apresenta.

O exu sete estradas é um guardião de terreiro antigo, é um exu raro e não muito conhecido, ele vinha em terreiros antigos de candomblé e umbanda, hoje em dia, são raras as pessoas que tem a sorte de ter esse exu, mas deve-se tomar muito cuidado com quem tem ele, pois ele é da estrada que não tem curvas, ou seja você tem sete estradas para percorrer mas não falhe em todas, por que da mesma forma que ele te ajuda, ele faz o contrário na mesma proporção. é um exu serio, mas as vezes bem brincalhão.

Ele vem nos terreiros cheirando o chão, ou seja querendo saber onde está vindo, quem está no território, é um exu que nas vidas passadas morreu por armadilhas. Ele gosta de bons whiskys, bons cigarros, em dias de festa bons charutos.”

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Presente da Irmã Giza

Ponto composto pelo nosso dirigente, Ivo de Carvalho para o Exu Sete Estradas

Santo Antônio mandou
Santo Antônio é quem manda
Santo Antônio mandou
Exu Sete Estradas firmar nossa banda
Ele deu boa noite
Era de madrugada
Ele não é da encruza
Não é da calunga
Ele mora na estrada
Santo Antônio mandou
Santo Antônio é quem manda
Santo Antônio mandou
Exu Sete Estradas firmar nossa banda
E quando o galo canta
Seu ponto vai firmar
Com licença de Ogum
E de meu Santo Antônio
Ele vem saravá