Oxum, a padroeira

Por Sid Soares

Dia 12 de outubro, dia de Senhora Aparecida a protetora do Brasil e para nós de Umbanda, um dia consagrado a mãe Oxum, a senhora agregadora, mãe da fertilidade, do ouro e do amor.

Nossa Mãe Oxum é sincretizada com Nossa Senhora Aparecida por vários motivos, as duas são negras e surgiram das águas, uma no rio Paraíba e outra no rio oshun na Nigéria. Ambas são mães da fartura, a Padroeira foi encontrada no rio por pescadores que não conseguiam sucesso, tentavam a todo custo encontrar peixes nas águas e acharam em sua rede o corpo de uma santa e não desistindo encontraram logo depois a cabeça que emergia das águas com uma quantidade enorme de peixes. Isso já nos mostra o quão importante é seguir, continuar sempre e descobrindo meios de desviar, assim como o rio, sem desistir!

Oxum é mãe da fartura assim como farta foi a pesca dos devotos que encontraram a imagem, e muitos só acreditam que essa Iabá é apenas a mãe do ouro e da riqueza em relação aos bens materiais. É sim, mas por quê? Por que onde há Amor tudo prospera, tudo vinga e floresce. Se uma relação é escassa de amor, ela não dura. Se uma empresa não tem o olhar amoroso de quem a lidera ou as mãos gratas dos que ali trabalham, amando o que faz, ela não se sustenta.

O ouro de Oxum é esse, o amor. É a vibração divina do amor, ou seja, a manifestação do amor de Deus por nós se chama Oxum, assim como Maria é a Mãe que chorando a perda de seu Filho, assumiu toda a humanidade em seu ventre.

É errado ser devoto de Oxum e Senhora Aparecida? Não! Todos nós precisamos de mães, somos falhos e vivemos engatinhando pelos caminhos da vida ou tropeçando pelas estradas das emoções e por isso precisamos delas, as mães e de muitas. Mães que continuem conosco quando as nossas vão embora, pois infelizmente, elas vão.

Aparecida é a negra que entendia a dor dos escravos, dos sem rumo e que falava fundo aos mais simples. Oxum é a mãe dos rios e águas doces, dos sentimentos e da fertilidade e não por acaso as duas coisas são mais comuns do que parece! É pelos sentimentos que secamos ou damos frutos, quantas vezes deixamos as mágoas ou decepções secarem nossos sonhos? Quantas vezes renascemos mais fortes como um rio vivo e limpo ao nos sentirmos amados de verdade? E o que sai de nós para o outro é também responsável por tudo que seca ou brota em nossas vidas, se somos mesquinhos nossa vida é também pequena. Se usarmos da piedade para tirar proveito do outro, nada do que conquistamos se mantém.

Oxum chora? Chora sim! Por nossas atitudes equivocadas e Zambi sabe o quanto ainda iremos nos enganar. Mas chora também mostrando o quanto é importante percebermos que somos humanos, precisamos sim chorar, pois não podemos segurar tudo e às vezes a correnteza do rio é muito forte para que nosso barco frágil dê conta de seguir, assumir cansaço não é sinal de fraqueza, mas antes conhecer suas limitações, e não devemos ter medo de sentar a margem desse rio, ou no colo da mãe e descansar.

Mas tão logo possa, coloque seu barco no curso do rio novamente, amar, frutificar e seguir faz parte da vida!

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O feminino e o papel da mulher no Terreiro de Umbanda

Já recebemos muitos elogios em relação a esse documentário. Não imaginávamos que haviam muitos umbandistas que desconheciam ainda alguns aspectos da nossa religião.

Esse documentário foi produto a partir de um pedido de um aluno da PUC que deveria fazer um trabalho sobre uma religião e ele escolheu a sua, a Umbanda. Gostei tanto do bate papo que resolvi compilar tudo que havia sido gravado e deu nisso. Com vocês o documentário: 

Por dentro da tenda Espírita Pai Mané de Aruanda: o feminino e o papel da mulher dentro do terreiro de Umbanda.

Esperamos que gostem!

Caboclo Pena Branca

Aldeia do Caboclo Pena Branca

Palavras do nosso dirigente:

Em junho de 1985 fui agraciado com uma intuição para escrever a letra da cantiga do Caboclo Pena Branca.

Participação especial do Ogã Jorge Coelho

Gostaria de esclarecer que TODOS os pontos de Ivo de Carvalho são registrados. Eles podem ser cantados nos terreiros, nos centos, nas tendas, nos eventos de Umbanda, mas para comercializá-los só com a permissão do autor.

Letra do Ponto

Que lindo brado eu ouvi naquela aldeia
Naquela aldeia numa noite de luar
Era um caboclo que vinha chegando
Com sua flecha, seu bodoque e seu cocar

Que lindo brado eu ouvi naquela aldeia
Naquela aldeia numa noite de luar
Era um caboclo que vinha chegando
Com sua flecha, seu bodoque e seu cocar

Mas ele veio no clarão da lua
Iluminado por pai Oxalá
Ele é caboclo
Ele é guerreiro
Ele seu Pena Branca
Ele é o rei do Panaiá

 

Sarau da Umbanda

No domingo passado, estivemos no 2º Sarau da Umbanda. Nosso Babalorixá, Ivo de Carvalho e o Ogã José Carlos de Oxóssi,  receberam uma homenagem pelo conjunto de sua obra, com destaque para o seu ponto, Brado de Xangô que é conhecido por todo Brasil. Gratidão aos organizadores do evento que contou com a presença de Tião Casemiro, Bia Nascimentos e outros. 

Foi uma tarde muito agradável,  podemos rever  e estar amigos e pessoas que divulgam e professam a nossa fé.

O Sarau tem como finalidade resgatar pontos antigos e apresentar as novas composições.

 

Seguem as fotos.

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Sarau de Umbanda, Curimbas e Axé

Mais uma vez meu Pai Ivo de Ivo Carvalho será homenageado Junto com seu amigo José Carlos de Oxossi, em um sarau promovido por Carlos Leonardo Souza.
Acho essas iniciativas muito importantes. Receber homenagem vivo é muito bom!
Que puder comparecer. Nós estaremos lá.

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Iansã – Senhora dos Ventos

Hoje é dia de Bárbara

Iansã

Que luta 

Que varre as injustiças

Que liberta e diz para todas as mulheres 

Nosso corpos, nossas regras!

Não tenham medo de dizer não

Pois, o nosso corpo nos pertence

Liberdade e Justiça são seus lemas

Liberdade de dizer, de ser, de expressar-se no mundo

Justiça para com todos, com igualdade e fraternidade

Iansã 

Guerreira, feminina e feminista

“Ela é moça linda

Sua estrela é luminosa

Com sua coroa e seu buquê de rosas”

Iansã 

É vento que está em todos os cantos

Em todas as tendas, terreiros e barracões

Em todas as cidades, favelas e guetos

Na raiz do bambuzal deixei oferenda para Iansã

Para que com sua força, vento, raio e tempestade

Varra todas as mazelas do mundo. 

“Ê Parrei Oya!

Dona dos ventos

Mensageira de Oxalá

Ê Parrei Bela Oya!”

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Escultura de Wallace Lopez Espaçólogo

Saravá Umbanda – Umbanda Saravá!

Somos desse chão.

Somos Estrela do Oriente.

Somos Pai Mané de Aruanda.

Somos irmão de fé e na fé.

Somos caridade, amor, gratidão, compaixão.

Somos Orixás.

Somos as forças da natureza, selva brasileira.

Somos Quilombo, solo sagrado dos ancestrais.

Somos África.

Somos Aruanda.

Somos Zambi, Tupã, Pajé, Babalorixá, Ialorixá.

Somos entidades: Preto-velho, Exu, Pomba-gira, Ibeijada.

Somos Candomblé.

Somos Congá.

Somos altares cristãos.

Somos Zumbi.

Somos Zélio de Moraes, Diva Porto Magalhães, Ivo de Carvalho e Tião Casemiro.

Somos Religião.

Somos uma só Banda.

Somos Umbanda!

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Homenagem a Ibeijada – São Cosme e Damião

Salve as Crianças!

Próximo sábado, dia 24 de setembro comemoremos o dia de São Cosme e Damião, nossa festa espiritual, com início às 18h.

No dia seguinte, 25 de setembro, realizaremos a distribuição de doces, roupas e cachorro quente para as crianças de Sepetiba. 

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Mironga de Preto-Velho

Por: Nerita Oeiras, em 13/05/2016

Tem só uma festa religiosa da qual eu realmente gosto, e é a de hoje. Dia de celebrar os pretos velhos, entidades da Umbanda que nos ensinam a paciência, a sabedoria, a necessidade de uma vida mais calma e mais pausada. Eu sempre tive muita afinidade com pretos velhos (com pessoas idosas também), e tem duas coincidências muito legais nisso. A bebida dos pretos velhos é o café, e eu acabei trabalhando nesse mercado. E quando eu cheguei na minha casa no Equador, numa parede tinha (ainda tem), uma foto de uma preta velha, fumando um cachimbo.

Convido vocês, amigos, para no dia de hoje tomar uma pausa para um cafe, para respirar fundo, para contemplar o céu, receber o vento no rosto e agradecer pela vida!

Os deixo com um vídeo de Tião Casemiro interpretando um ponto composto pelo meu avô Ivo Carvalho. Amanhã comam um amalá de preto velho por mim!!! 😀