Mabaça – Os gêmeos em nós

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Texto de Sid Soares

Esse é o mês das crianças dentro da Umbanda, se no 13 de maio sobe aos céus do país uma energia de liberdade e gratidão, hoje os terreiros e tendas são fontes de riso, alegria, da inocência e pureza que nos religa a Deus. São Cosme e São Damião nas imagens mais conhecidas e os santos Crispim e Crispiniano que são reverenciados no mundo todo e aqui mais ainda, onde há um santo para cada dor, para cada prece encerrando esse ciclo no dia 25 de Outubro. Não por acaso a Umbanda é sustentada por um triangulo de forças divinas que representam as três fases da vida humana, assim temos o Preto Velho, o Caboclo e por fim o Erê, e ser envolvido por este triangulo é ter a certeza de precisamos seja qual for a fase da vida termos a humildade e sabedoria, a vitalidade e firmeza com a serenidade, e a esperança e a fé.Os santos gêmeos católicos São Cosme e São Damião nasceram na Arábia, eram filhos de Teodata e curavam sem cobrar por isso através de remédios e de orações que faziam aos desenganados. Por esse motivo eram chamados de anárgiros (“ana”desprovido de ou que não aceita e “argiros” prata ou dinheiro). Tinham mais cinco irmãos que no Brasil são representados por Doum, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi.

O culto aos santos veio para o Brasil trazido pelos portugueses que aqui se misturou ao culto africano aos gêmeos Ibeji na nação Ketu ou Nvuji na nação Angola ( que na Umbanda recebe o nome de Ibejada, linha que compreende espíritos que trabalham na faixa vibratória desse orixá) e se misturou ainda ao deuses gêmeos indígenas, Tamendonare e Aricoute que deram segundo a mitologia, origem aos povos Tupinambás e Temininós.

Nesse rearranjo brasileiro o próprio caruru feito para ofertar aos dois-dois tem origem indígena no alimento chamado caá-riru ou “erva de comer”, que era feito com bredo e que depois ganhou o quiabo pelos africanos.

Com essa mistura toda de crenças o que mais importa é o companheirismo e a alegria que anda tão escassa, que devem ser gêmeos em nós, assim como a fé e a esperança. Erê é uma palavra que significa brincar, e define o caminho entre nós e Orixá, o consciente e inconsciente, e na nossa jornada tão cheia de coisas, de mágoas e descaminhos vamos nos perdendo da brincadeira, dos companheiros, das amizades, dos irmãos.

A gente precisa se reencontrar ou aprender com o nosso gêmeo, que é aquele “eu” que sabia que por mais difícil que fosse, ia passar, que uma gargalhada resolve muita coisa, que uma brincadeira de roda pode curar, e que uma prece feita com esperança e inocência sempre é atendida! Tenha o nome que tiver, o que não dá pra desaprender é o bom e velho levantar depois de um tombo ou um joelho ralado, após uma topada numa pedra, ou o tão esquecido “ficar de bem” por que criança de verdade come doce, não mágoa!

“Filho de fé estava doente
Filho de fé estava chorando
Filho de fé viu Ibejada
Filho de fé já está cantando!”

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Conversa de terreiro – Desenvolvimento e Incorporação

Mais uma conversa com o nosso dirigente, Ivo de Carvalho. 

Gostaríamos de esclarecer que nossos bate-papos são referentes as práticas que acontecem na nossa Tenda. cada casa de Umbanda tem sua ritualística própria. Não temos a intenção de ensinar nada, apenas queremos mostrar como acontece na Tenda Espírita Pai mané de Aruanda. Mais uma contribuição para esse universo tão vasto que é a nossa linda religião. Coma palavra Babaloriá Ivo de Carvalho. 

 

Faltou a finalização do nosso vídeo, acabou o espaço no celular, mas vimos que está completo no que queríamos apresentar-lhes, por isso decidimos publicá-lo.

Sessão de Mesa = Descarrego

Como a nossa próxima sessão do dia 4 de agosto será uma sessão de Mesa, gostaria de explicar como ela acontece em nossa casa.  

Mesa de Oxalá

Por Sylvia Arcuri

A sessão de Mesa acontece ao redor de uma mesa com uma toalha branca estendida, por isso muitos denominarem e associarem ao nome a cor branca. A cor também está ligada a Oxalá, o Orixá maior dentro da Umbanda que, dentro do sincretismo, refere-se a Jesus Cristo. Além disso, a cor branca, segundo a cromoterapia, indica claridade, pureza e iluminação; representa a inocência, a verdade e a integridade do mundo; simboliza o caminho e o esforço em direção à perfeição. É indicada para cura em geral, purificação e abertura à luz. Por esse motivo o nome: “mesa branca”. 

Antes de começar os trabalhos mediúnicos, em volta da mesa, e depois de termos feito a abertura da sessão, evocamos os caboclos que participarão dos trabalhos realizados na mesa em si. No nosso caso, a mesa possui oito espaços para que os médiuns incorporados,  ou não, ocupem e ficam quatro espaços vazios, um em cada ponta da mesa para que  o consulente sente-se. O dirigente da mesa (que muitas vezes é uma pessoa diferente do dirigente da casa) faz uma preleção, geralmente lê uma página relacionada com as questões espirituais, pede-se permissão para começar a sessão ao espírito que, junto com o dirigente da casa irá comandar os trabalhos, no nosso caso, a permissão é solicitada a Bezerra de Menezes, um espírito conhecido dentro do Kardecismo. 

Pode-se dizer que a sessão de Mesa tem semelhanças com a Doutrina Kardecista?

Sim e não, a semelhança é que existe uma página e um “mini estudo” ou uma interpretação sobre a página lida. Depois de aberta a mesa, fazemos a fluidificação da água que servirá como remédio para os que estão ali no espaço da Tenda, todos tomam um cálice da água fluidificada com a intenção de curar algum mal que o aflige, seja ele físico, de ordem emocional ou espiritual. Passa-se pela mesa os papeis para irradiação á distância, nomes, endereços e necessidades das pessoas que não puderam estar presente. Os médiuns incorporados à mesa, juntos aos espíritos desencarnados de luz, que auxilam no trabalho, fazem uma espécie de ronda espiritual, chegando até o lugar, visitando aquela pessoa cujo nome encontra-se no papel. Depois, os assistentes, que estão naquele momento na tenda, passam pela mesa, geralmente sentam de quatro em quatro e havendo a necessidade, passa-se individualmente aquele(a) que precisa, por alguma orientação, sentar sozinho(a). Nesse momento, pode acontecer orientações aos espíritos desencarnados que chegam até a mesa. Faz-se uma espécie de doutrinação, alertando aquele espírito sofredor que ele já não pertence mais a esse mundo, ou que ele deve deixar de perturbar determinada pessoa, de estar ao lado dela, implicando no seu processo de evolução em outro espaço,  mas muitas outras coisas acontecem durante essa sessão, como, por exemplo a psicografia de mensagens, cada dia é de um jeito. 

Dentro da Doutrina Kardecista, essa sessão é uma sessão fechada para os assistentes. No Espaço da Umbanda, não. Nem todos os terreiros, centros ou tendas umbandista desenvolvem esse tipo de sessão, que também está no rol das sessões que permitem a evolução do médium e de sua entidade. O médium que for convocado para participar da mesa deve ter feito, no dia anterior, um resguardo,  que seria cuidar do corpo e da sua parte emocional,  não ingerindo carne vermelha ou bebida alcoólica,ter cultivado bons pensamentos e não ter passados por momentos extremos de estresse,   se o médium sentir que não está preparado para fazer parte desse trabalho deve sinalizar ao dirigente da casa. 

Para que fica mais esclarecido, existe uma confusão  em relação a Mesa Branca e o Espiritismo e isso talvez seja motivado pela semelhança que existe em alguns pontos, como por exemplo a comunicação mediúnica com os espíritos e a crença na reencarnação. O Espiritismo é uma doutrina científica e filosófica codificada em 1857 por Allan Kardec.

Por que consideramos a sessão de Mesa como uma sessão de Descarrego?

Porque, nesse momento, há a permissão de espíritos desencarnados, que muitas vezes veem acompanhando o consulente, chegarem à mesa através de um médium e receber as orientações necessárias para continuar sua caminhada espiritual, é como se esse espirito recebesse um acalando, um afago, um alento, pois é dito para ele que ele é importante e que deve seguir o seu caminho sem importunar a vida de quem permitiu a sua chegada até aquele ambiente de amor e paz.  Além disso, essa sessão serve para reequilibrar a energia e fazer a limpeza astral de todos que dividem o ambiente, tantos encarnados e desencarnados. A sessão de mesa é para aliviar todas as tensões físicas, emocionais e espirituais, é um momento de descarregar as energias “ruins”, “pesadas” que foram acumuladas durante dias e que precisam ser retiradas, transmutadas e renovadas. 

 

A foto do post não é da nossa Tenda.

Foi retirada de outra página, para vê-la,  clique aqui

 

 

Qual a ligação de Santo Antônio com Exu?

“Santo Antônio mandou

Santo Antônio é quem manda

Santo Antônio mandou

Exu Sete Estradas firma nossa banda”

Assim começa o ponto do Exu que comanda a Gira de Descarrego na nossa Tenda e no final pede licença… 

“Com licença de Ogum 

E de meu Santo Antônio 

Ele vem trabalhar”

Não é uma licença para chegar  e ficar, mas é para trabalhar e evoluir. Em uma escala hierárquica, Exu é a entidade mais perto dos humanos. Sim, na Umbanda Exu é entidade,  teve matéria encarnada, já no Candomblé ele é um Orixá. Quando se diz que é a mais perto dos humanos, talvez explique o fato de sua ligação com Santo Antônio, o “santo casamenteiro” como se apresenta popularmente o santo.

Se, por um lado,  Exu é a energia de ligação do mundo dos humanos com as esferas espirituais, é a entidade que realiza a limpeza mais densa, aquela que resolve os problemas “pesados”, a que constrói pontes, estradas, vias de passagens simbólicas amenizando as mazelas da humanidade; por outro,  Santo Antônio também está muito ligado aos humanos, um dos santos mais populares da Igreja Católica, quando em vida, um excelente orador, deixou todos os bens materiais para se dedicar aos mais necessitados, não se conformava com a desigualdade que existia, o que pode também ser atribuída a sua ligação com Exu. Ambos com o poder da palavra que encanta, ensina, ajuda, fortalece, ameniza, transfere, abre caminhos, (principalmente os relacionados as questões amorosas). Mas não é só a energia da abertura e do amor que essas duas figuras representam; no campo simbólico, elas cumprem um papel fundamental o de religar os seus adeptos ao seu eu interior, a sua divindade pessoal e a Zambi, Deus, como preferirem. Tanto Exu como Santo Antônio constroem pontes, saídas ligadas à energia amorosa, que carece muito nos dias atuais. Os dois entendem as aflições, os conflitos e as lutas humanas. E, com sua palavra mais próxima, podem aconselhar, afagar, curar. Embora seja uma das entidades mais brincalhona dentro dos Terreiros de Umbanda, Exu é sério no seu trabalho, trabalha em conjunto com outras entidades e com os Orixás, no caso Ogum que o concede a permissão de chegar e prestar a caridade. Exu NÃO é Lucifér, não é Diabo, essa figura do anjo caído não existe nas religiões de matrizes africana, assim como Santo Antônio também não traz essa ligação.

Enquanto a Igreja Católica, no mês de junho, saúda os Santos Antônio,  João e Pedro, as casas, as tendas e os terreiros de Umbanda saúdam Exú e Xangô. 

Exu e Santo Antônio são: fé,  poder, equilíbrio,  trabalho, esperança, encanto, caridade, bondade, solidariedade, sensibilidade, reciprocidade  e amor. 

Laroyê,

Exu, é Mojibá!

Salve Santo Antônio!

Nossa homenagem e festa para Exu será no próximo sábado dia 16 de junho. Venham comer o pãozinho de santo Antônio e pular a fogueira!

Segue o vídeo do ponto cantado pelo seu compositor e nosso dirigente Ivo de Carvalho.

 

 

Texto: Sylvia Helena de Carvalho Arcuri

Nossos rituais

Por: Sid Soares

Se você está lendo isso se prepare, pois seu dia será marcado por rituais, a vida é feita deles, do simples fato de lavar o rosto, escovar os dentes, ao almoço de domingo em família ou o ato de queimar fotos e lembranças que nos trazem más recordações com a intenção de sepultá-las. Para isso nos valemos de tudo, fogo, objetos, e principalmente amigos, companheiros de caminhada que dividem conosco os pequenos atos sagrados de nossa intimidade.

Momentos bons e ruins devem ser marcados por rituais, isso fala a nossa alma e dão sentido e razão aos nossos sentimentos, passamos a vê-los de forma mais prática, concreta e viva, assim como aquilo que queremos pôr fora, seja bom ou ruim. Precisamos de um amigo para falar de nossas conquistas e vitórias, e também de nossas derrotas assim temos convicção de que se foi bom alguém irá sorrir conosco, ou o contrário e que depois é seguir em frente. Os ritos nos acompanham pela vida, em casa, na escola, no trabalho e nos templos.

Os ritos e rituais são muito importantes não só dentro da Umbanda como em outras crenças, tanto que o próprio Cristo viveu o batismo pelas mãos da Voz do Deserto e então se encheu do Espírito Santo, era chegada a hora do Seu testemunho.

Ainda que se diga que o mundo precisa menos de religião e de mais espiritualidade, seja qual for a religião, há no seu cerne a máxima de fazer o bem, de ser útil e do amor, e numa época onde tudo toma proporções maiores do que devem ter, onde o que norteia a maioria das pessoas é o EU e não o NÓS, a religião e seus ritos ainda são o prumo que nos auxilia o equilíbrio!

Mas todos os dias é necessário reforçar com as próprias forças essa caminhada, a busca pela ligação com o Mais Alto se dá a todo instante, na busca do autoconhecimento, na conexão com as forças da natureza que encerram os poderes divinos, no trabalho digno e acima de tudo na manutenção com nossa sagrada ligação com os mentores, com nosso anjo protetor.

Na humildade de saber que é preciso de uma outra mão por mais sábios e fortes que parecemos ser, há sempre alguém que nos conduz por águas tranquilas ao encontro com o Pai, renascendo de nós mesmos para os céus e se tornando parte dele, como João Batista fez com o Cristo de Deus.

Ritualize suas vivências, suas experiências ainda que pareçam simples. Eles ajudam a encerrar e iniciar os ciclos e libertam nosso coração, nos dão a possibilidade de recomeço, liberando nossas almas de amarras e criam laços com o Universo, assim como o vento que seja qual for o tempo ou direção, segue.

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O Trabalho da Umbanda não se resume somente em consulta

Por: Jefferson Santana

O trabalho dentro de um terreiro de Umbanda não se resume unicamente em consulta espiritual com as entidades. Dentro de um terreiro e realizado muitos trabalhos além da consulta. Existe o passe, o descarrego, a energização , correntes de cura, de paz, de segurança harmonização do lar etc. Muitos ainda pensam que ir a um terreiro é só consulta. O trabalho da Umbanda e muito grande vai além da consulta com as entidades desde do momento que você entra em um terreiro você já esta sendo trato espiritualmente e fisicamente. 

Cada ponto cantando é uma ajuda uma oração uma prece. Cada brado de um caboclo é um problema sendo resolvido. Cada gargalha de Exu e uma demanda sendo quebrada.Cada balançar da saia de uma Pombo-gira e um caminho sendo aberto. Cada cachimbada de preto velho e um coração sendo ajudado. Cada laçada de um boiadeiro é uma dificuldade sendo desamarrada. Cada sorriso de uma Ibeijada é uma cura sendo realizada. 

Cada gesto de um guia, cada elemento ritualístico dentro da Umbanda é um auxilio um trabalho. A Umbanda vai além da consulta espiritual. Muitos querem ouvir mas poucos são os preparados para ouvir. Muitos querem ouvir aquilo que massagear o ego mas nem sempre a entidade vai falar aquilo que você quer ouvir. Ao entrar em um terreiro de Umbanda não foque somente na consulta espiritual foque em todo trabalho que esta sendo realizado a consulta é apenas uma base um trabalho de sustentação um aconselhamento.

 

Pai de Santo

Ser um Babalorixá é ser como Ivo de Carvalho, nosso Pai no Santo como ele gosta de dizer. 

Pai de Santo é a tradução literal de Babalorixá.

 

 

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SER PAI DE SANTO*
(autor desconhecido)

Ser Pai de Santo é viver mil vezes em apenas uma vida, é lutar por causas perdidas, é desconhecer a palavra recompensa apesar dos seus atos.

Ser Pai de Santo é caminhar na dúvida cheio de certezas, é correr atrás das nuvens num dia de sol e alcançar o sol num dia de chuva.

Ser Pai de Santo é chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza, é cancelar sonhos em prol de terceiros, é acreditar quando ninguém mais acredita, é esperar quando ninguém mais espera.

Ser Pai de Santo é identificar um sorriso triste em uma lágrima falsa, é ser enganado e sempre dar mais uma chance, é cair no fundo do poço e emergir sem ajuda.

Ser Pai de Santo é se perder em palavras e depois perceber que se encontrou nelas, é distribuir emoções que nem sempre são captadas.

Ser Pai de Santo é construir castelos na areia, vê-los desmoronados pelas águas e ainda assim construir outros.

Ser Pai de Santo é tentar recuperar o irrecuperável, é entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.

Ser Pai de Santo é estender a mão a quem ainda não pediu, é doar o que ainda não foi solicitado.

Ser Pai de Santo é ter a arrogância de viver apesar dos dissabores, das desilusões, das traições e das decepções.

Ser Pai de Santo é ser pai dos filhos dos outros e muitas vezes não ser dos seus, é amar igualmente e nem sempre ser amado.

Ser Pai de Santo é ter confiança no amanhã e aceitação pelo ontem, é desbravar caminhos difíceis em instantes inoportunos e fincar a bandeira da conquista em meio à derrota.

Ser Pai de Santo é entender as fases da lua por ter suas própria fases. É ser “nova” quando o coração está a espera de filhos de Santo, ser “crescente” quando estes filhos batem a sua porta, ser “cheia” quando já não cabe tantos filhos no Ilê e “minguante” quando muitos desses filhos vão embora cortando seu coração ao meio com injurias e falsas palavras.

Ser Pai de Santo é voltar no tempo todos os dias e viver por poucos instantes coisas que nunca ficarão esquecidas.

Ser Pai de Santo é cicatrizar feridas de outros e inúmeras vezes deixar as suas próprias feridas sangrando e doendo.

Ser Pai de Santo é chorar calado as dores de todo mundo e em apenas um segundo estar sorrindo.

Ser Pai de Santo é subir degraus e se os tiver que descer não precisar de ajuda, é tropeçar, cair e voltar a andar sozinho.

Ser Pai de Santo é acima de tudo um estado de espírito, é ter dentro de si um grande tesouro escondido chamado FÉ e ainda assim dividi-lo com o mundo, mesmo que o mundo não mereça, sem esperar nada em troca!

* Pai de Santo neste texto se refere a todos os Sacerdotes e Sacerdotisas dos cultos e religiões afro-brasileiras e de matriz africana.

7 coisas que você só descobre depois de se tornar Umbandista

1 – Usar branco não é fácil.

Pode parecer que é fácil, mas não é. 
Essa cor traz uma responsabilidade enorme. Você terá que aprender a vigiar seus atos, zelar pelo seu espiritual e entender que há irmãos que precisam, naquele momento, mais do que você. Então, você trocará festas, shows, amigos, bebidas e um dia de descanso, para se doar algumas horas para uma pessoa que você nunca viu e provavelmente nunca mais vai ver, mas posso te garantir, vale a pena.

2 – Você é um médium 24 horas por dia e não só no terreiro.

Não adianta você se enganar dizendo que é médium só no terreiro porque você não é. A mediunidade faz parte de você, sempre fez, e isso não vai mudar. Aos poucos você vai descobrir isso e entender que a espiritualidade não é culpada pela sua colheita. Eles te mostram um caminho, mas você tem um livre arbítrio e realiza suas próprias escolhas. Você planta, você colhe.

3 – As entidades não estão ali de brincadeira.

Nenhuma entidade está ali de brincadeira. Todas elas, sem exceção, estão ali para trabalhar, ensinar e também aprender, por isso, ouça-os com atenção e trate-os com muito carinho e respeito.

4 – Exu é uma entidade de Lei.

Você vai entender que Exu não esta ali para brincar, beber, fumar, dar em cima de alguém ou amarrar uma pessoa. Não. Eles não são assim. Exus e Pombo Giras são entidades que trabalham nos planos inferiores sob a Lei do Pai Maior. São eles que nos protegem na entrada, na saída e nas encruzilhadas dessa vida. Alguns são brincalhões outros mais firmes, mas todos carregam consigo a seriedade em seu trabalho, se utilizando somente da energia da bebida e do fumo, nada mais. E se for preciso Exu trabalhar sem a bebida ou o fumo, ele trabalhará, sem dúvidas.

5 – É preciso ajudar e não só participar.

Ser médium e fazer parte de um terreiro não é só chegar no dia da Gira e fazer seu trabalho. Não. Não é assim. 
O chão que você encontrou limpo, alguém limpou. A vela que você usou, alguém comprou. O banho que você tomou, alguém macerou. O local que você está, a luz que você utiliza e a água que você bebe, alguém pagou. Então, ajude… 
Ajude a limpar quando puder, leve o seu material de trabalho e, toda vez que possível, auxilie na compra daquilo que falta na Casa, colabore com o que conseguir para a manutenção do aluguel, da água e da luz. Não. Isso não é sua obrigação, eu sei, mas também não é minha e nem do Dirigente que ali se encontra. A obrigação é nossa. Nós temos que manter e cuidar do lugar onde nossa espiritualidade escolheu para trabalhar.

6 – Cansa.

Isso eu preciso te falar: Irmão, cansa. Existe um antes, durante e depois, vou explicar:
ANTES de todo e qualquer trabalho, o terreiro precisa ser limpo da maneira correta e as firmezas precisam ser devidamente cuidadas.  Você precisará se alimentar de maneira correta, tomar seu banho de defesa, acender suas velas e se direcionar ao terreiro, algumas horas antes do inicio dos trabalhos, para ajudar, tentando permanecer sempre em silêncio.
DURANTE todo e qualquer trabalho, você estará fornecendo e recebendo energias, então, é importante que o processo do ANTES tenha sido cumprido com rigor. Se você for médium de passe, lidará diretamente com energias. Se você for cambono, também lidará diretamente com energias, por isso, em todos os casos e cargos, é importante manter a firmeza.
DEPOIS de todo e qualquer trabalho, é preciso deixar o ambiente limpo de novo, então, pegue a vassoura, a pá, a esponja e mãos a obra. Dia seguinte você com certeza estará com o corpo dolorido, entretanto, digo mais uma vez a você: vale a pena.

7 – Você vai se apaixonar.

Independentemente dos 6 itens acima, você vai se apaixonar. Seja você um cambono, um médium de passe, um médium em desenvolvimento, um futuro sacerdote ou um simples consulente, esteja você na corrente ou na assistência, você vai se apaixonar por essa religião e nada, NADA, vai pagar a sensação de paz que vai te invadir ao receber um abraço sincero de alguém que você nunca viu, ao ver um sorriso no rosto de quem chegou chorando, ao ouvir o mais simples e sincero “obrigado”… Nada vai pagar.

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Oxum, a padroeira

Por Sid Soares

Dia 12 de outubro, dia de Senhora Aparecida a protetora do Brasil e para nós de Umbanda, um dia consagrado a mãe Oxum, a senhora agregadora, mãe da fertilidade, do ouro e do amor.

Nossa Mãe Oxum é sincretizada com Nossa Senhora Aparecida por vários motivos, as duas são negras e surgiram das águas, uma no rio Paraíba e outra no rio oshun na Nigéria. Ambas são mães da fartura, a Padroeira foi encontrada no rio por pescadores que não conseguiam sucesso, tentavam a todo custo encontrar peixes nas águas e acharam em sua rede o corpo de uma santa e não desistindo encontraram logo depois a cabeça que emergia das águas com uma quantidade enorme de peixes. Isso já nos mostra o quão importante é seguir, continuar sempre e descobrindo meios de desviar, assim como o rio, sem desistir!

Oxum é mãe da fartura assim como farta foi a pesca dos devotos que encontraram a imagem, e muitos só acreditam que essa Iabá é apenas a mãe do ouro e da riqueza em relação aos bens materiais. É sim, mas por quê? Por que onde há Amor tudo prospera, tudo vinga e floresce. Se uma relação é escassa de amor, ela não dura. Se uma empresa não tem o olhar amoroso de quem a lidera ou as mãos gratas dos que ali trabalham, amando o que faz, ela não se sustenta.

O ouro de Oxum é esse, o amor. É a vibração divina do amor, ou seja, a manifestação do amor de Deus por nós se chama Oxum, assim como Maria é a Mãe que chorando a perda de seu Filho, assumiu toda a humanidade em seu ventre.

É errado ser devoto de Oxum e Senhora Aparecida? Não! Todos nós precisamos de mães, somos falhos e vivemos engatinhando pelos caminhos da vida ou tropeçando pelas estradas das emoções e por isso precisamos delas, as mães e de muitas. Mães que continuem conosco quando as nossas vão embora, pois infelizmente, elas vão.

Aparecida é a negra que entendia a dor dos escravos, dos sem rumo e que falava fundo aos mais simples. Oxum é a mãe dos rios e águas doces, dos sentimentos e da fertilidade e não por acaso as duas coisas são mais comuns do que parece! É pelos sentimentos que secamos ou damos frutos, quantas vezes deixamos as mágoas ou decepções secarem nossos sonhos? Quantas vezes renascemos mais fortes como um rio vivo e limpo ao nos sentirmos amados de verdade? E o que sai de nós para o outro é também responsável por tudo que seca ou brota em nossas vidas, se somos mesquinhos nossa vida é também pequena. Se usarmos da piedade para tirar proveito do outro, nada do que conquistamos se mantém.

Oxum chora? Chora sim! Por nossas atitudes equivocadas e Zambi sabe o quanto ainda iremos nos enganar. Mas chora também mostrando o quanto é importante percebermos que somos humanos, precisamos sim chorar, pois não podemos segurar tudo e às vezes a correnteza do rio é muito forte para que nosso barco frágil dê conta de seguir, assumir cansaço não é sinal de fraqueza, mas antes conhecer suas limitações, e não devemos ter medo de sentar a margem desse rio, ou no colo da mãe e descansar.

Mas tão logo possa, coloque seu barco no curso do rio novamente, amar, frutificar e seguir faz parte da vida!

Salve Cosme e Damião

Hoje é dia de Cosme e Damião, ficou definido, na ALERJ, como patrimônio imaterial da cidade do Rio de Janeiro, uma conquista muito emblemática nesse momento, principalmente para as religiões de matrizes africana.

Como diria meu amigo Wallace Lopez – Salve as Criança!

Eu digo Salvem as Crianças do/da:

Extermínio
Abandono
Estupro
Abuso
Desprespeito
Trabalho escravo
Desmando 
Adulto 
Consumo
Violência verbal, emocional e física dentro e fora de casa
Pobreza
Opressão
Dor
Baixa autoestima
Violação dos seus direitos
Drogas
DST,s

Nenhuma criança merece passar por isso. Que nossas crianças espirituais, Tonico, Mariazinha, Pedrinho, Tiãozinho, Jussara, Joaninha, possam de onde estiverem, proteger e guardar nossas crianças terrenas.

Salve Cosme e Damião
Salve toda Ibeijada

Salvem as crianças!