O Significado de “Bater cabeça”

Por Mônica Caraccio

Todos nós umbandistas “batemos a cabeça” em frente ao altar logo que chegamos ao terreiro, não é mesmo? Pois bem, será que já paramos para pensar na grandeza e no Sagrado desse ato?

Nós, umbandistas, herdamos dos povos africanos a representação do solo como a morada dos antepassados. Para eles, os orixás são antepassados divinizados, ou seja, pessoas e anciões que imergiram na terra e se tornaram Orixás, portanto, para cultura africana o Sagrado está na terra e não no céu como prega a cultura européia.

Além disso, sabemos que em determinado momento da vida escravocrata, os negros enterraram os otás e os elementos simbólicos de seus orixás para que não fossem descobertos pelos senhores das fazendas, os quais tentavam de todas as maneiras destruir e descaracterizar a cultura, a crença e as relações humanas desse povo. 

Com esse saber, fica fácil compreender que quando “batemos cabeça” estamos entrando em contato com esses ancestrais e antepassados, consequentemente, com todo o conhecimento e a sabedoria que esse passado guarda.

Não podemos deixar de lado também, o poder transformador do elemento terra, portanto, ao bater cabeça com os pensamentos firmados na ação e nas forças divinas, naturalmente conseguimos descarregar todos os pensamentos negativos e atuações negativas, que por ventura esteja envolvendo nosso mental. 

Melhor ainda acontece quando temos a oportunidade de deitar no chão ao bater cabeça, nessa ocasião, a descarga acontece também no sentido emocional e em todos os nossos chacras, afinal eles também entram em contato com a terra.

Não tem como negar, a Umbanda é um encanto, está cheia de fundamentos, significados, tradição e axé!

Eu acrescento dizendo que: quando bato cabeça na nossa tenda estou reverenciando todos os elementos que compõe o gongá.

Irmãos de Fé

Já está a venda o mais novo CD de Tião Casemiro – Irmãos de Fé: Tião Casemiro interpreta Ivo de Carvalho.  O CD está recheado de cantigas compostas por Ivo de Carvalho. Vale a pena conferir este trabalho que foi realizado com muito esmero e carinho. Clique aqui para saber como adquirir o CD ou aqui para ouvir algumas de suas cantigas.

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O Arraiá do Seu Edson ficou animado

Amigos da Tenda seguem as fotos da nosso Arraiá.

As crianças e os adultos animaram a festa com várias brincadeiras, ainda tivemos a presença do Grupo Teatral MAPA,  que apresentou um esquete muito bem humorado: O casamento na roça.

A Tenda, em nome do nosso dirigente, gostaria de agradecer a todos os que participaram desse delicioso evento. O faturamento da festa será revertido para nossa festa de Cosme e Damião. 

Vejam as  fotos.

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Como conseguir a isenção do IPTU para os Centros, Terreiros ou Tendas Espíritas

Circulando uma informação que recebemos que pode ser do interesse de um centro e de seu conhecimento

 

Os centros espíritas do município do Rio de Janeiro são isentos do pagamento de IPTU, conquista legislativa dos cariocas consolidada pelo meu irmão, vereador Átila Nunes Neto, que recentemente fez sua passagem.

Quando vereador, ele se preocupou que essa conquista fosse ampla, democrática, alcançando os templos religiosos de todos os credos.

Esta semana, estive reunido com o coordenador do IPTU, Silas Ferreira, buscando uma linha de ação que permita aos diretores dos centros conseguir com mais agilidade essa isenção.  O Código Tributário Municipal prevê a isenção do IPTU sobre os imóveis efetivamente ocupados por centros espíritas.

Para obter a isenção é necessário protocolar um requerimento junto a Secretaria de Fazenda Municipal, mas a conclusão do processo é um pouco demorada. 

Quando o processo de isenção é protocolado, automaticamente as cobranças de IPTU são suspensas, mas isso não significa que o imóvel esteja na condição de isento, já que o processo, caso venha a ser indeferido, o responsável pelo imóvel terá que pagar ao município todos os impostos em atraso.

Em razão disso, recomendo que durante o tramite processual, os dirigentes dos centros espíritas façam o pagamento através de depósitos administrativos. Caso a isenção seja concedida, os valores depositados são devolvidos sem nenhuma burocracia.

O passo a passo para fazer o pedido é mais ou menos simples. Basta preencher o requerimento de isenção e apresentar os seguintes documentos:

a) certidão do Registro de Imóveis (caso o titular não coincida com o indicado no último carnê do IPTU, será exigida certidão emitida menos de seis meses antes da data do pedido);
b) estatuto da entidade, ou ato de constituição, devidamente registrado;
c) ata da assembleia que elegeu a atual diretoria;
d) declaração das atividades efetivamente realizadas no imóvel, inclusive dias e horários, informando-se ainda desde quando o imóvel é utilizado como templo;
e) croqui ou planta baixa do imóvel, com indicação das atividades desenvolvidas em cada parte;
f) último carnê do IPTU;
g) CPF e carteira de identidade do requerente.
  
Vale lembrar que a isenção de IPTU também é válida para imóveis alugados por centros espíritas, desde que fique comprovado que as atividades são realizadas efetivamente no imóvel.

 
Não há necessidade de intermediários para ingressar com o pedido. É bem simples e fácil. Além disso, qualquer dúvida pode ser respondida através do telefone 1746 ou nos plantões fiscais na sede da prefeitura carioca.

Em anexo, encaminho o Requerimento de Isenção, Imunidade ou Não-Incidência. Basta imprimi-lo, preencher todos os dados, anexar a documentação solicitada e protocolar no posto de atendimento mais próximo.

Os municípios do Estado do Rio de Janeiro ou do resto do país que não ofereçam a isenção de pagamento de IPTU aos centros espíritas e demais templos religiosos, devem contatar seus vereadores.

A isenção de IPTU nesse caso é absolutamente constitucional. É um direito, acima de tudo. E como sempre lembrou meu saudoso irmão, Átila Nunes Neto, quando vereador, um direito não é o que alguém nos dá, e sim, é o que ninguém pode nos tirar.

Qualquer dúvida, entre em contato comigo.

ÁTILA A. NUNES

Muita paz!

Movimento Umbandista

O Movimento Umbandista surgiu no final do século XIX, utilizando-se como cenário os cultos miscigenados de negros, índios e brancos, conhecidos como macumbas, candomblés, catimbós, torés, xambás, babassuês, xangôs, etc. Nesse contexto, começaram a se manifestar entidades espirituais, através da incorporação, nas formas de índios (caboclos) e de Pais-Velhos trazendo as mensagens dos espíritos ancestrais desses povos. O processo do sincretismo facilitou a inclusão da cultura católica pela assimilação dos santos com as divindades do panteão africano e ameríndio. Logo apareceriam também as entidades que se apresentavam como Crianças, completando o ternário de manifestação mediúnica que serviria de base para a sustentação da doutrina umbandista.

Essas tres formas de apresentação, Crianças, Caboclos e Pais-Velhos, correspondem a arquétipos do inconsciente coletivo com seus valores intrínsecos – o enigma da esfinge desvendado. Assim, a forma “infantil” representa  início do ciclo e também a Pureza; a forma adulta, de “caboclo”, carga o valor da Fortaleza e da Simplicidade; e a forma senil, de “pai-velho”, identifica-se com a Sabedoria  e a Humanidade. Pureza, Simplicidade e Sabedoria Humilde seriam as virtudes a serem cultivadas por todos os Umbandistas, bem como regeriam a ética desse setor filorreligioso.  

Fragmento retirado do livro: Umbanda a proto-síntese cósmica: epistemologia, ética e método da Escola de Síntese, autor: Yamunisiddha Arhapiagha (Mestre Espiritual da Umbanda F. Rivas Neto)