Gongá

Gongá = Peji, altar. Pode ser grande, com três degraus, ou simples mesa. Aí ficam as imagens dos santos católicos sincretizados com Orixás, estatuetas de Caboclos e Pretos-velhos (em gesso, geralmente), velas, flores, copo com água, etc. Também é dito congá. Termo usado na Umbanda e em cultos não-tradicionais, afro-indígenas .  F.p. (formação provável) da palavra – kimbundo “ngonge” (ngongue) – segurança.

Referência bibliográfica:

CACCIATORE, Olga Gudolle. Dicionário de Cultos Afro-brasileiros: com a indicação da origem das palavras. 3ª ed. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1988, p. 131. 

Fotos de alguns góngas. 

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Mironga de Preto-velho

Nossa tenda, no último sábado, além de comemorar 31 anos de existência, também realizou a sua festa anual em homenagem aos pretos-velhos. 

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Toques de atabaque

Fomos consultados por um irmão do Espírito Santo sobre como tocar atabaque sem machucas as mãos. Levei o pedido para o nosso dirigente Ivo de Carvalho, resolvemos fazer umas demonstrações através de vídeos. Nosso dirigente quer deixar claro que não é Ogãn, como Tião Casemiro e Márcio Barravento, mas tem paixão pelos atabaques, portanto o que ele apresenta nesse vídeo é sua vivência singela, não é um curso e nem pretende que seja o certo, pois cada um tem uma técnica para tocar. Mas acho que vale a pena conferirem as dicas que ele nos deixa. 

Para assistir a primeira parte do vídeo clique AQUI

A segunda parte, clique AQUI

Prêmio Ogum de Malê

Todos os anos a tenda premia os seus assistentes. Esse ano foram contemplados com o Prêmio Ogum de Malê os nossos amigos:  José Ricardo Medeiros, Bruno Russi Dias e Paulo Alberto Diniz.

Vejam as fotos. 

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Reflexão sobre a vida

Nosso país teve uma escritora chamada Cora Coralina, que era muito consciente do seu papel dentro do mundo. Gostaria de compartilhar com vocês alguns pensamentos dessa poeta que se forjou na maturidade  e que como os Umbandista tem uma espiritualidade singular. 

Um repórter perguntou à Cora Coralina:

O que é viver bem?

“Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.
E digo pra você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha.
Eu não digo.
Eu não digo estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida.
O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.
O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.
Eu não digo nunca que estou cansada.
Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros.
Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos.
Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não.
Você acha que eu sou?
Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser.
Filha dessa abençoada terra de Goiás.
Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.
Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança.
Penso no que faço, com fé.
Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o DECIDIR.”.

 

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Quem foi Cora Coralina

Chamava-se, de batismo, Ana Lins do Guimarães Peixoto. A reconhecida poetisa nasceu no Estado de Goiás em 20 de agosto de 1889 e morreu em 10 de abril de 1985. Mas, o reconhecimento não veio fácil ou logo. 

Dizem que chamar Cora Coralina de poetisa é restringir seu talento. Era também contista, cronista de mão cheia e até mesmo jornalista, pois é sabido que tinha imensa habilidade de observar os acontecimentos cotidianos, retratando-os com fidelidade. O dom da escrita a acompanhava desde cedo. Tanto que aos 15 anos de idade, tornou-se Cora, uma maneira de esconder sua verdadeira identidade, pois naquela época “moça direita” não perdia tempo com escritos. Coralina surgiu depois e o significado não poderia ser mais poético: Cora Coralina quer dizer coração vermelho.

Da casa dos pais, Ana Lins partiu para São Paulo. Ela e Cantídio Tolentino Brêtas apaixonaram-se e fugiram para Jaboticabal (SP). Teve seis filhos. Lá levou a vida que a maioria dos brasileiros leva, renunciou vontades e sonhos para prover o sustento da família. A escritora saiu de cena, foi impedida de crescer, enquanto a trabalhadora, mãe e esposa assumia os compromissos da vida. Foi costureira, vendedora de livros, comerciante. Mas ainda assim, nunca deixou de escrever e de se empenhar em ajudar, principalmente às mulheres. Ana sugeriu a criação de um partido feminino e escreveu até mesmo um manifesto de agremiação.

Depois de viúva, já não havia quem lhe impedisse de se expressar por meio das palavras (dizem que seu marido a impedira de participar da Semana de Arte Moderna de 1922). Aos 70 anos aprendeu a datilografar e, entre retalhos de textos, produziu seu primeiro livro – Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais – aos 75 anos. Em 1976 lançou Meu Livro de Cordel e em 1980, recebeu uma carta de Carlos Drummond de Andrade, repleta de elogios sobre seu trabalho. Foi após a divulgação dessa carta que Cora Coralina tornou-se conhecida no país todo.

Dos Orixás para sua mesa

Eu sempre quis ter um restaurante com o nome “Comida de Santo” . Deparo-me com essa reportagem da Revista Época que mostra que as Iabás, as cozinheiras dos Orixás no Candomblé, já estão virando Chefes de cozinha. Bem apropriado para nossa cultura. Apenas um detalhe conta na minha intenção, a comida dos Orixás da Umbanda são bem diferentes da do Candomblé. Também pode gerar uma polêmica, as comidas que são oferecidas ao Orixás devem ser servidas fora do espaço Sagrado? Fica a reflexão, algo para ser pensado. Enquanto isso, leiam a matéria que Natália Spinace fez para a Revista.

Chefs de restaurantes refinados buscam na cozinha do candomblé formas de incrementar os pratos

O que Iemanjá, Iansã e Oxalá podem ter em comum com os hábitos alimentares de quem não conhece o candomblé e outras religiões de origem africana? Chefs de restaurantes requintados têm procurado a ajuda das cozinheiras dos terreiros responsáveis pelos pratos feitos para os orixás. São as iabassês. O objetivo desses chefs é conhecer técnicas seculares de preparo (o candomblé existe há mais de 600 anos), ingredientes pouco usados no dia a dia e, em alguns casos, entender como a espiritualidade interfere no preparo dos alimentos, do ponto de vista de quem segue a religião.

A chef Bel Coelho, do restaurante Dui, em São Paulo, passou uma semana num terreiro de Salvador para aprender com uma autêntica iabassê os segredos das comidas dos orixás. O resultado da pesquisa foi um menu com 13 pratos, todos inspirados nos orixás, servido no projeto Clandestino, em que Bel recebe, no máximo, 20 pessoas para degustar sua cozinha autoral. “As edições da cozinha dos orixás lotam”, diz. O menu custa R$ 195.

Quem ensinou os segredos do terreiro a Bel Coelho foi a iabassê e chef de cozinha Carmen Virgínia, de 36 anos. Dona Carmen, como é chamada, foi escolhida para ser iabassê quando tinha 7 anos. Aos 14, começou a aprender com as iabassês mais velhas os segredos dos pratos de cada orixá. Quando adulta, fez também faculdade de gastronomia.

 Pela crença, os orixás são deuses que representam, principalmente, forças da natureza. Iemanjá é a deusa das águas. Ogum, do fogo. Ossanha, das ervas medicinais. Cada orixá tem sua preferência gastronômica, que deve ser seguida à risca. “Quando fazemos o prato e o colocamos no altar, a intenção é alimentar nossa fé”, diz Carmen. Para fazer a comida dos deuses, ela precisa estar paramentada com as vestes do terreiro, usar talheres separados para cada orixá e seguir as receitas sem adaptação. “O preparo da comida dos santos e o das pessoas têm em comum os temperos e a intenção, passar uma boa energia.”
O chef paraibano Carlos Ribeiro, que comanda o restaurante Na Cozinha, no bairro de Jardins, em São Paulo, também foi buscar na religião inspiração para renovar seu cardápio. “Quem não conhece o candomblé disse que eu era louco por servir pratos típicos dessa religião. Disseram que isso espantaria a clientela”, afirma. Não foi o que aconteceu. Os festivais dos orixás formam fila na porta do restaurante.

As comidas do candomblé não são tão exóticas e desconhecidas quanto pode supor quem nunca teve contato com a cultura africana. É possível que, sem saber, você já tenha comido o prato preferido de algum orixá. Feijoada, vatapá, acarajé e outras receitas típicas da Bahia têm origem na religião (leia o quadro abaixo). “As pessoas comem e não fazem ideia da história por trás daquele prato”, diz Janaina Rueda, chef do Bar da Dona Onça, em São Paulo. Janaina não segue o candomblé como religião, mas há dois anos faz festivais para homenagear os orixás. No evento Águas de Oxalá, além de servir os pratos típicos, ela faz a lavagem da escadaria do Edifício Copan, onde fica o restaurante. “Na Bahia, uma vez por ano as baianas fazem a lavagem da escadaria da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim para espantar o mau-olhado e trazer boas energias”, diz. No ano passado, 1.000 pessoas participaram do festival e da lavagem da escadaria. Além de incorporar receitas tradicionais do candomblé em seu cardápio, Janaina também incrementou pratos do cardápio tradicional com quiabo, azeite de dendê, frutos do mar e muito pensamento positivo.

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Se você quiser ler a matéria na Revista Época é clique AQUI