Quando nasce um Santo – Sid Soares


Um texto lúcido, verdadeiro e que deve ser compartilhado.

Fazer parte de um ritual de Umbanda seja qual for é de um aprendizado ímpar para aquele que assim deseja. Um batismo, um amaci ou uma feitura leva todo aquele que passa por esse processo a vivenciar uma experiência mística e única. Não é apenas algo simbólico como muitos podem pensar.

Ser iniciado ou passar por uma feitura é só o primeiro passo para o sacerdócio. Primeiro porque mais do que qualquer ritual ou experiência mística, a vivência templária é essencial, além de saber ouvir e buscar acima de tudo ser conciliador.

Pouco importa, no entanto, se há ou não a missão do sacerdócio, antes de tudo o que a Umbanda precisa é de religiosos comprometidos, conscientes de seu papel na sua família, na sua comunidade e na sociedade. É ser um porta-voz da fé que escolheu professar e é esse o compromisso assumido quando se participa conscientemente de um ritual.

Após toda a ritualística, havendo ou não a saída de santo, o que depende de cada casa, após as oferendas e não importa se são as mais caras ou as mais simples, só o que fica no coração do neófito e SE fica, é o que interessa. Muitos se preocupam com o momento da saída, se a casa estará cheia, com o paramento do orixá e por aí vai…

O que levamos pra casa quando as luzes do barracão se apagam, as portas se fecham e só as velas continuam a iluminar as firmezas do terreiro é que vai nos acompanhar durante nosso mandato mediúnico.

É o que irá nos fortalecer noite e dia durante nossa vida, como uma boa lembrança nos apontando o caminho da fé! Pois é a fé que temos nesse momento, talvez ainda tão prematura, que devemos alimentar constantemente já que agora na inversão dos papeis somos nós, os iniciados que devemos alimentar a fé alheia!
Não é o santo quem nasce, somos nós que nascemos para ele!!!

Certa vez, ouvi uma história em que um pai de santo já com muitos anos de sacerdócio, ia até o terreiro onde havia sido iniciado. Sua mãe de santo já bem idosa o recebe e ele então começa a reclamar de seu cansaço em levar adiante sua missão. De ter que ter sempre uma palavra para cada filho ou filha, e se sentir com isso vazio. Sua mãe então pergunta:

– Isso acontece com todos meu filho! Nós é que alimentamos a fé de nossos filhos, e eu não tenho mais meu pai de santo para alimentar a minha. Quando estou cansada, ou preciso de força e amparo, onde acha que encosto minha cabeça?

O filho então secando suas lágrimas e percebendo que sua queixa beirava a manha, perguntou curioso:

– Onde minha mãe? Onde a senhora busca forças quando se sente esvaziada, onde repousa sua cabeça? No encontro da experiência com o novo a mãe respondeu com sabedoria:
– No colo de Iemanjá, no abraço de Oxalá!

A alegria de ver um santo nascer é manter sempre acesa a crença no Pai Maior, assim somos nós que todos os dias, vamos renascer pra Umbanda e pra vida, no colo de nossos Orixás!

Obrigada Sid Soares por deixar compartilhar. Saravá

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Foto: Sylvia Arcuri

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