Forja diária – Saravá Ogum

Por Sid Soares


Ogum é o primeiro passo do filho que deixa de engatinhar e avança na marcha da vida, é o olhar do pai reticente, mas esperançoso de que mais que passos incertos ou estrada, o caminho do filho é a vontade. É a casa que a gente resolve morar sem ter levantado parede, e na segurança de que ela já está lá, oferecemos de abrigo a outros. Ogum é a avença dos discordantes, quando o bem comum é comum, é o Bem, ou simplesmente o amor, o sorriso da criança, a comum unidade…É a revolta sensata ao que é injusto usando o verbo para quebrar grilhões que aprisionam mentes, para despertar consciências, mas que também usa o silêncio para refletir na estratégia da sensatez que une e agrega.É a vitória da gente, de manhãzinha abrindo os olhos e sorrindo apesar de tudo, a certeza no dia quando estamos na noite mais escura, a fé no improvável. A confiança de que a Lua cabe na palma da minha mão. Ogum é nosso Ori repleto de sonhos, uma chuva deles caindo no solo da nossa cabeça que sabe que terra boa é aquela que germina o bem. É a ordem das coisas que temos e somos, ou a coragem de não aceita-las quando julgamos certo, e a audácia da mudança.Ogum é o orixá dos sonhos, é aquele brilho no olhar que nasce quando a gente escuta um amigo falar de um projeto às vezes impossível, e escapa da nossa boca: Vai dar certo! Ele não guerreia e nem abre caminhos se a certeza de que eu posso vencer o improvável não nascer primeiro em mim. E é essa forja diária que faz crescer em nós a armadura da fé porque Ogum quando vai para a guerra, só convoca os improváveis.

Respeito à vida

Nossa tenda ainda continua respeitando o isolamento social, evitando as aglomerações nesse período de COVID 19. Nossa dirigente completará 82 anos, já tomou a primeira dose da vacina, mas não nos sentimos seguros para voltar e também entendemos que temos que ter paciência para não colocar a vida de nenhum de nossos médiuns em risco. A vida nos é emprestada para evolução espiritual e forçar para que ela seja ceifada, não cumprindo o que as autoridades de saúde determina, entendemos que possa ser encarado como negligencia mediúnica. Também gostaríamos de dizer que o terreiro, a tenda, a nossas entidades estão dentro de nós mesmo, uma ligação sólida que não se perde, você pode se conectar com os seus guardiões sem a necessidade de estar em um lugar determinado. Sua fé está nas suas palavras e ações. Por isso, permaneceremos em nossas casas cumprindo o protocolo de segurança, usando máscaras, lavando as mãos e, sobretudo, não aglomerando. Mas nunca perderemos a fé no que acreditamos.

Saravá Umbanda!

RESPEITO À VIDA

2021 – um outro olhar sobre a vida

Uma mensagem para o próximo ano, escrita pelo nosso Babalorixá Fábio Barros.

Hoje, acordei e fiz uma reflexão.

APRENDIZADOS PANDÊMICOS – Confirmei que os bens mais preciosos são meus familiares e meus amigos; – Notei que podemos ter aviões, jatinhos e carros luxuosos, mas se o plano supremo decidir, teremos que ficar em casa quietinhos; – Senti que a arte, como a música, a poesia, o cinema, o teatro e o desenho infantil aliviam a alma e amenizam nossa ansiedade e clausura; – Refleti que pedir perdão é  libertador e um grande lenitivo em todos os sentidos, tanto para quem pede perdão e, principalmente, àquele que perdoa. Ser humilde e assumir erros são ações magníficas, quem não erra?   – Saquei que na vida e melhor a gente se dar bem do que se dar mal, o mal te puxa para baixo, traz negatividade e atraso de vida, já o bem deixa tudo fluído, portanto vamos deixar os pequenos atritos de lado, chega de medir força com alguém. É infantilidade pura querer ser o certo e deixar o outro como errado, que ilusão mundana, fique sabendo que a verdade não existe, seu ponto de vista não é hegemônico e nunca será. Você acha, só você acha, o outro não é obrigado a achar. Divergir, ter ideias contrárias são bons exercícios para nossa caminhada; – Aprendi a ser grato, a amar o que realmente importa, a fazer exercícios, cuidar do meu corpo e mente, a fazer caminhadas matutinas não por vaidade  ou futilidade, mas simplesmente porque meu corpo é uma engrenagem perfeita e que não pode parar; – Tudo que passei, passamos, o mundo parado, a prisão domiciliar foram para um bem maior, já parou para pensar que tivemos a honrar de conviver, juntinhos,  com as pessoas que amamamos por um ano? Aceleramos nossas provações e carmas, sabia?  O ano de 2020 foi uma dádiva e não um castigo divino, a supremacia divina é tão poderosa que fez a uma doença desconhecida unir pessoas no mundo inteiro e elas passaram a ter saudades umas das outras. Como abraçar e dizer te amo nos fazem bem, não é mesmo? Nós entendemos que tudo é finito, que a vida deve ser vivida calmamente e um dia por vez; – Acredito que depois de todo o caos tudo tenderá a se organizar naturalmente, voltaremos ao normal calmamente, respirando com mais qualidade; – A pandemia chegou para todos fazerem suas reformas íntimas e estruturantes, vamos vencer o medo, se amar mais para amar o próximo, vamos pensar e respeitar o outro, deixe ele ser o que quiser ser. Só viveremos aqui na Terra se fizermos uma manutenção no nosso meio ambiente, sim, o Planeta Terra também está doente e precisa respirar. Cada pessoa poderia plantar um árvore, já pensou quanto oxigênio? Respire fundo o bálsamo da vida, quantas sombras, quantos pássaros cantando… quantas vidas; – Emano luz a todos os seres que se foram por conta da Covid 19, digo todos, todos os indivíduos do globo terrestre que deixaram o plano físico. Não temos o que comemorar, temos que agradecer e sermos gratos por ter cruzado a linha da Vitória, quer dizer a vida. Passamos por uma transição planetária muito abrupta com desencarne coletivo, em massa, pense que estamos superando, batalhando pelo sopro da vida: o nosso mais puro oxigênio, de nosso pai criador – Deus! Terminarei minha reflexão usando a frase da minha mãe espiritual, Helenice de Carvalho, lá de Sepetiba:    

“Vamos amar o amor”!!!!!