SOBRE RITUAIS UMBANDISTAS I – *Por Rubens Saraceni

“A Umbanda é uma religião que tem seus rituais, que são de natureza magística, iniciática e religiosa.

- Magística, porque são realizadores;

- Iniciática, porque são iniciadores;

- Religiosa, porque são atos de fé;

Todos os rituais umbandistas apresentam essas 3 características, mesmo quando elas não estão visíveis.

Uma sessão de trabalhos espirituais é um ato de fé. Nossa religiosidade nos ensina que devemos vivenciá-la incorporando nossos guias espirituais e fazendo a caridade espiritual.

Nas sessões espirituais, quando vivenciamos nossa fé, os guias espirituais são espíritos iniciados nos mistérios da criação e em seus procedimentos, desde suas saudações, suas danças, suas formas de falar, são iniciáticos e os diferenciam das incorporações espirituais profanas.

Nos trabalhos de caridade espiritual, das Casas de Umbanda, tudo é magia. Desde as baforadas de fumaça até o estalar de dedos; desde as defumações até os pontos cantados de chamada para o trabalho. Tudo é mágico na Umbanda.

Por trás de tudo e de todos estão os Sagrados Orixás, que são mais do que uma entidade incorporante que se apresenta como um Ogum, como um Oxossi, como um Xangô etc.

São os governadores da criação do nosso Divino Criador Olorum e são mistérios em si mesmos, pois estão em nós, estão na natureza, estão em tudo e em todos.”

Texto extraído do livro “Rituais Umbandistas (Oferendas, Firmezas e Assentamentos)”, de Rubens Saraceni- Editora Madras.

Ele bradou!

O reino da justiça, das leis, das estruturas, das pedreiras, dos cristais, das rochas  é regido pelo Orixá Xangô.
Na região sudeste brasileira, é sincretizado com São João Batista, e homenageado no dia 24 de Junho.
Saudação: Kaô Cabecile! (Com licença, o Rei está chegando!)
Nosso dirigente Ivo de Carvalho escreveu um ponto para Xangô que já se consagrou por todo país.
Ele bradou na aldeia
Bradou na cachoeira
Em noite de luar
No alto da pedreira
Vai fazer justiça
Pra nos ajudar
Ele bradou na aldeia
Caô, caô!
E aqui vai bradar
Caô, caô
Ele é Xangô da predeira
Ele nasceu na cachoeira
Lá no Juremá!

A beleza.

Escreveu o autor uruguaio, Eduardo Galeano:

Diego não conhecia  mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.

Viajaram para o Sul.

Ele, o mar, esta do outro lado das dunas altas, esperando.

Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta imensidão do mar, e tanto o seu fulgor,  que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu o pai:

- Me ajuda a olhar!


Assim é a Umbanda, precisamos das nossas entidades para nos ajudarem a olhar a beleza e a intensidade que existem em cada preceito, em cada rito em cada Orixá.

Queridos Velhos

A sabedoria dos mais velhos sempre tão precisa através dos conselhos nas nossas vidas, como não escutá-los e segui-los?

Pensando em como fazer uma homenagem a toda essa nossa ancestralidade, que veio do continente africano e serviu como escrava e foi explorada por uma camada branca hegemonica da sociedade, e que hoje, na nossa religião são as entidades que nos aconselham. Conto como meu pai, nosso dirigente, escreveu um ponto para os pretos-velhos a partir de uma frase proferida por uma preta-velha amiga muito querida, Dona Benedita.

Meu pai levava a Dona Benedita para uma sessão na nossa casa de caridade e em um certo momento ela disse a seguinte frase: “eu vim lá de Angola eu vim lá do meu gongá”. Meu pai escutou, registrou e a frase serviu como inicio de um ponto de preto-velho.

Eu vim la de Angola
Eu vim lá do meu gongá
Junta esse povo de Umbanda, zifio
E vamos trabalhar.
Preto-velho trabalha sentado
Mas se for preciso trabalha em pé
Mironga de preto-velho
É galho de arruda e folha de guiné.


NÃO ESQUEÇAM QUE A NOSSA FESTA EM HOMENAGEM AS PRETAS E AOS PRETOS-VELHOS SERÁ NO PRÓXIMO SÁBADO, DIA 15 DE MAIO.

SERÁ OFERECIDO O AMALÁ.  VENHAM HOMENAGEAR CONOSCO!