Conversa de Terreiro VII – Cambono, Samba e Transa

Cambono e Samba

São aqueles que atendem as entidades. Os homens são denominados Cambono e as mulheres, Samba. O Cambono e a Samba, para serem considerados bons, devem ser: precisos e discretos, não pariticipando, nem sequer ouvindo o diálogo entre o consulente e a entidade.

São atribuições do Cambono e da Samba:

  • preparar, antes da abertura da gira, tudo que a entidade necessitará: charuto ou fumo para cachimbo, caixa de fósforos, pemba, vela, lápis, papel, etc;
  • acender os charutos ou cachimbos das entidades sem colocá-los na própria boca;
  • tomar nota do que as entidades determinam para os consulentes;
  • não interferir na consulta;
  • tomar passe com a entidade que assistiu.

Transa é a pessoa que, na ocasião da entrega da ficha, leva o consulene até a entidade.

Sagrado

 Zygmunt Bauman fala sobre o Sagrado*:

“o sagrado é um conceito notoriamente vago e altamente controverso e é muito difícil ter certeza, e  ainda mais concordar, quanto àquilo de que estamos falando […] a percepção de que não está ao alcance dos seres humanos apreender, entender, assimilar mentalmente o impressionante poder que se manifesta na simples grandiosidade do universo. Pascal descreveu esse sentimento, e sua fonte, de maneira impecável:

Quando considero a breve duração da minha vida absorvida na eternidade que vem antes e depois… o pequeno espaço que ocupo e que vejo ser engolido pela infinita imensidão dos espaços de que nada sei e que nada sabem sobre mim, fico amedrontado e surpreso por me  ver aqui e não ali, agora e não depois.**  

Esse  universo escapa a todo entendimento. Suas intenções são desconhecidas, seus “próximos passos”, imprevisíveis.  Se existe plano ou lógica preconcebidos em sua ação, decerto escapa à capacidade de compreensão humana…”

*Citação extraída do livro:

BAUMAN, Zigmunt. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005, p. 77-78. 

**Blaise Pascal, Pensées, aqui citado segundo a tradução de A.J. Krailsheimer (Peguim, 1966), p. 48.

Concordo com a minha amiga Renata Penajoia quando afirma que o  sagrado é uma questão de fé, ou você acredita ou não, assim simplesmente. Não é uma questão de convencimento. 

Conversa de Terreiro VI – Médiuns

Dentro do terreiro de Umbanda todos que estão presentes manifestam um tipo de mediunidade que pode ser a de incorporação ou não. Existem médiuns que a finalidade é, unicamente, doar ectoplasma, principalmente quando é uma corrente voltada para a cura de algum consulente. 

MÉDIUNS DE TRABALHO

São aqueles que realmente prestam a caridade diretamente ao público, incorporando as suas entidades.  Representam, por isso, uma das partes fundamentais do terreiro. Fazem parte das suas atribuições: todos os cuidados necessários com seu preparo, com suas roupas e guias, além de sua honestidade espiritual. 

MÉDIUNS EM DESENVOLVIMENTO

São aqueles que ainda estão na fase de treinamento mediúnico, aprendendo e observando as vibrações numa fase preparatória. Podem vir a ser os futuros médiuns de trabalho.   


Filme de Zózimo Bulbul

Foto: Ierê Ferreira

Estação Cultural Simerj
Apresenta:
13 de Maio Uma Reflexão Necessária.

Mostra do Filme de Zózimo Bulbul
Debates: 
Trabalho escravo na atualidade
A luta contra o racismo, Raça e Classe.
Projeção de fotografias do projeto O Negro Em Cena do fotografo Ierê Ferreira
Apresentações musicais:
Afoxé Filhos de Gandhi e Samba do Buraco do Galo.

Serviso: 
Dia 13 de maio as 18:30.
Simerj- Av. Rio Branco 277/401.

Realização: Diretoria de Raça- Gênero e Etnia.

Um texto para reflexão

Amigos da Tenda,

Já que amanhã homenageamos os nossos queridos Pretos-velhos, segue um texto para refletimos a situação dos negros na nossa sociedade. 

Bom dia professora e professor: mais uma vez é dia 13 de maio e o que é que vamos dizer.

Henrique Cunha Junior.

As instituições de ensino do país têm nos seus calendários escolares a comemoração do dia 13 de maio com data da abolição do escravismo criminoso no Brasil. Surgem duas perguntas, a primeira se devemos comemorar a data e a segunda como?

A primeira pergunta pode ser respondida como um sim por trata-se de uma revolução social iniciada pela luta de milhões de africanos e afrodescendentes, apoiados por significativa parcela da população de origem européia e que derrubou a instituição criminosa do escravismo no Brasil. A revolução social daí decorrente ficou inacabada devido às forças conservadoras que dirigiam o país e frearam as transformações necessárias. Marcaram a continuidade do racismo contra a população negra e produziram processos econômicos e políticos que impediram um desenvolvimento das potencialidades da mão de obra de africanos e afrodescendentes, resultando na presente estado de enorme desigualdade social entre as populações negras e brancas do país, entre os contingentes de populações escuras e claras no Brasil. No entanto comemoramos a abolição como ato simbólico das transformações necessárias e damos continuidade como a realização da correção das carências com projetos de ações afirmativas para o desenvolvimento social, cultural, político e econômico das populações negras do país. Tratamos de políticas especificas para a população negra, com o sentido de reparar os erros de um longo passado histórico de crimes, segregações, racismos e formas de intolerâncias de prejudicaram e ainda prejudicam os pretos e pardos do Brasil.

 Comemorar a data do dia 13 de maio com ações afirmativas consiste em modificar os procedimentos e principalmente fazermos na escola uma historia nacional que valorize os feitos da população negra no Brasil. A primeira ação reparadora é deixar de lado os velhos e tocos chavões, como o negro foi escravo, o negro sofreu a escravidão. Seria bom iniciarmos dizendo as populações negras vidas da África foram a principal fonte de conhecimentos, de cultura e de transformações para a economia colonial brasileira. Que devido à importância social, política, cultural e econômica da população negra no Brasil, neste dia a escola rende homenagens a população negra. Também cabe uma critica ao sistema que vivemos. O Brasil deveria pedir desculpas pela insensibilidade em ter tratado tão mal jóias tão raras. Não temos com avaliar a importância da população negra na formação da sociedade brasileira. Portanto comemorar o dia 13 de maio com ações afirmativas a presença da população negra na escola consiste numa grande mudança de postura. Implica em reconhecer que os estudantes e professores não tem tratado na sociedade e na escola a população negra como o devido respeito e valor. Admitirmos que muitos dentre nós fazem da população negra um motivo de chacota e descaso. Atos ruins produzidos pela ignorância quanto aos valores humanos e éticos de uma sociedade e também por imenso desconhecimento da historia nacional.

Este texto foi parte de uma palestra sobre a comemoração data da abolição do escravismo criminoso no Brasil. Nesta falamos da necessidade de uma política pública de ações afirmativas para a população negra no Brasil devido às políticas passadas de desqualificação social desta população. Como também importância de uma historia especifica sobre a população negra em razão das precariedades da historia atual em dar relevância necessária à participação da população negra na constituição deste país em que vivemos. Não basta a declaração que o país foi construído com mãos e cérebros negros, se não instituirmos a respeito a esta população negra com ações positivas. O respeito que é não apenas uma atitude declarativa e vazia de ações como dizer que tratamos todos com igualdade. Dizer é simples, usamos apenas as palavras, fazer ações é a prática difícil e necessária. Dizer que respeita a todos é comum, mas dito sem a prática do respeito concreto preenchido de ações e de reconhecimento dos erros passados não produz mudanças. O respeito histórico é raramente realizado. Respeito que implica em conhecer e trabalhar a historia das populações negras em todos os sentidos e nas diversas formas de educação.  Respeito que implica numa reavaliação constante dos nossos atos e modos de participar da educação e da vida cotidiana. Todos nós devemos fazer uma pergunta para si mesmo, se mudou alguma coisa então como é que eu mudei? Se cada um não mudou nada, o resultado é que nada mudou. Se todos fizeram alguma mudança então estamos fazendo a diferença.

Xangô da Pedreira = Brado de Xangô

Um pouco mais da história do nosso Dirigente – Ivo de Carvalho.

Temos aqui o  documento que comprova a data e a composição do ponto Xangô da Pedreira- 1988-  junto com mais duas composições. Esses pontos foram feitos em homenagem a cada uma das entidades das irmãs de santo do dirigente, quando as mesmas fizeram sua última obrigação de coroa.  O ponto de Xangô foi feito para Dininha, uma pessoa tão singela e forte como a letra do ponto.