SOBRE RITUAIS UMBANDISTAS II – *Por Rubens Saraceni

“Devemos entender que a Umbanda, por ser uma religião iniciática, tem seu ritmo e sua cadência que devem ser seguidos ao pé da letra, senão interferimos no seu fluir natural e em processos e procedimentos preestabelecidos pela espiritualidade.

A grande dificuldade de alguns adeptos da Umbanda é, após consulta com um guia, ter de ir a algum ponto de força da natureza fazer um trabalho ou oferenda ou despacho. Chega a ser constrangedor, porque não sabem como fazer e não entendem o porquê de ter de fazê-los pessoalmente.

Também vemos esse tipo de dificuldade nos médiuns iniciantes. Faltam-lhes conhecimentos teórico e prático para realizar o trabalho com firmeza e confiança.

Quantas pessoas são possuidoras do dom mediúnico da incorporação e quantas têm conhecimento disso?

Não há uma estatística nesse campo. O que sabemos é que muitas pessoas vivem suas vidas terrenas em grande sofrimento, confusão mental e emocional, infelizes e sofredoras devido a uma faculdade que não dominaram por desconhecimento ou por receio de “receberem espíritos” em seus corpos.

Muita coisa já foi feita nesse campo para facilitar o entendimento sobre o espírito humano e a interatividade com as outras dimensões da vida e as realidades nela existentes, ainda que sempre reste algo a ser estudado e esclarecido.

O misticismo, o medo, o tabu, a superstição, a vergonha, a ignorância e o oportunismo sempre predominaram no entendimento do nosso espírito e do mundo espiritual que nos envolve, pois, se somos matéria, também somos espíritos.

E sempre que alguém tentou explicar essa interação, os adeptos dos dogmas e dos tabus de tudo fizeram para calá-los.”


Texto extraído do livro “Rituais Umbandistas (Oferendas, Firmezas e Assentamentos)”, de Rubens Saraceni- Editora Madras.

SOBRE RITUAIS UMBANDISTAS I – *Por Rubens Saraceni

“A Umbanda é uma religião que tem seus rituais, que são de natureza magística, iniciática e religiosa.

- Magística, porque são realizadores;

- Iniciática, porque são iniciadores;

- Religiosa, porque são atos de fé;

Todos os rituais umbandistas apresentam essas 3 características, mesmo quando elas não estão visíveis.

Uma sessão de trabalhos espirituais é um ato de fé. Nossa religiosidade nos ensina que devemos vivenciá-la incorporando nossos guias espirituais e fazendo a caridade espiritual.

Nas sessões espirituais, quando vivenciamos nossa fé, os guias espirituais são espíritos iniciados nos mistérios da criação e em seus procedimentos, desde suas saudações, suas danças, suas formas de falar, são iniciáticos e os diferenciam das incorporações espirituais profanas.

Nos trabalhos de caridade espiritual, das Casas de Umbanda, tudo é magia. Desde as baforadas de fumaça até o estalar de dedos; desde as defumações até os pontos cantados de chamada para o trabalho. Tudo é mágico na Umbanda.

Por trás de tudo e de todos estão os Sagrados Orixás, que são mais do que uma entidade incorporante que se apresenta como um Ogum, como um Oxossi, como um Xangô etc.

São os governadores da criação do nosso Divino Criador Olorum e são mistérios em si mesmos, pois estão em nós, estão na natureza, estão em tudo e em todos.”

Texto extraído do livro “Rituais Umbandistas (Oferendas, Firmezas e Assentamentos)”, de Rubens Saraceni- Editora Madras.

Ele bradou!

O reino da justiça, das leis, das estruturas, das pedreiras, dos cristais, das rochas  é regido pelo Orixá Xangô.
Na região sudeste brasileira, é sincretizado com São João Batista, e homenageado no dia 24 de Junho.
Saudação: Kaô Cabecile! (Com licença, o Rei está chegando!)
Nosso dirigente Ivo de Carvalho escreveu um ponto para Xangô que já se consagrou por todo país.
Ele bradou na aldeia
Bradou na cachoeira
Em noite de luar
No alto da pedreira
Vai fazer justiça
Pra nos ajudar
Ele bradou na aldeia
Caô, caô!
E aqui vai bradar
Caô, caô
Ele é Xangô da predeira
Ele nasceu na cachoeira
Lá no Juremá!

A beleza.

Escreveu o autor uruguaio, Eduardo Galeano:

Diego não conhecia  mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.

Viajaram para o Sul.

Ele, o mar, esta do outro lado das dunas altas, esperando.

Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta imensidão do mar, e tanto o seu fulgor,  que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu o pai:

- Me ajuda a olhar!


Assim é a Umbanda, precisamos das nossas entidades para nos ajudarem a olhar a beleza e a intensidade que existem em cada preceito, em cada rito em cada Orixá.